Imunoterapia

Há 30 anos atrás o tratamento imunológico se restringia a derivados de cortisona e medicamentos anti-inflamatórios, utilizados essencialmente para doenças reumatológicas, como artrite reumatóide, espondilite anquilosante e lupus eritematoso sistêmico. No fim dos anos 70, em alguns poucos hospitais na Inglaterra, Suécia e Estados Unidos, ocorreram avanços científicos que seguiram dois movimentos diferentes. Por um lado, ampliou-se o leque de possibilidades de tratamento. Por outro, aumentou o número de doenças para as quais estes tratamentos foram disponibilizados.

Apareceram novas formas de uso de cortisona, como as pulsoterapias; tratamentos baseados em derivados de sangue, como a plasmaferese e as células tronco; quimioterapias, antes utilizadas para cancer, passaram a ser utilizadas em doenças não-neoplásicas. A morbidade e a mortalidade diminuiram tanto, que permitiram o uso de várias formas de quimioterapia em doenças pulmonares, neurológicas, renais, e até de pele. Morbidade é o termo médico para sofrimento, complicações não fatais. Transplantes de medula se subdividiram em vários tipos, com intensidade, morbidade e mortalidade diferentes. Imunoglobulinas passaram a ser usadas em injeção endovenosa simples.

Surgiram medicamentos que atacam direto as células responsáveis por estas doenças, chamadas de imunológicas, ou auto-imunes, porque nelas o corpo humano ataca a si mesmo. A imunoterapia utiliza as terapias alvo, ou anticorpos monoclonais. São medicamentos inteligentes, que atingem grupos celulares específicos. Desenvolvidos por engenharia genética, causam uma reação contra as células que a ciência demonstrou que produzem as substâncias que atacam os músculos em miastenia gravis e polimiosite; a pele e o tecido subcutâneo em dermatomiosite; as articulações em espondilite anquilosante e artrite reumatóide. Os brônquios em certos tipos de asma. A mielina em esclerose múltipla e em polineuropatias de vários tipos diferentes. Doenças antes consideradas degenerativas, como esclerose lateral amiotrófica e Alzheimer, passaram a ser consideradas resultado de inflamação, e, portanto, passíveis de serem tratadas com imunoterapia. As terapias alvo interferem com a produção de anticorpos endógenos por certos grupos de células, como os linfócitos B e C, os plasmócitos ou outros. O efeito é específico; reações de alergia graves ocorrem, porém são incomuns e podem ser tratadas. Outros artigos no site abordam em detalhe o funcionamento destas medicações.

Dr Paulo Rogério Mudrovitsch de Bittencourt

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