fev 24, 2012

Pequenos vermes na cabeça – uma nova doença velha: solitária, teníase ou cistiscercose

Pequenos vermes na cabeça – uma nova doença velha: solitária, teníase ou cistiscercose

História, biologia e distribuição geográfica

Desde a inclusão da carne de porco na alimentação humana, que acompanha a história da civilização, a Solitária (Taenia Solium) vem causando males que vão desde a benigna infestação intestinal até a gravíssima infestação do sistema nervoso central. A teníase apresenta altas taxas de incidência em países menos desenvolvidos da Ásia, em grande parte de África, e em praticamente todos os países da América Central e América do Sul, exceto Argentina, Chile e Uruguai. Está ficando mais frequente também na Europa e América do Norte. Quando a doença ocorre na forma de cistos, pequena bexigas contendo um líquido e a cabeça do verme, chama-se cisticercose e pode causar danos graves e levar até a morte. Nesta forma pode se instalar no sistema nervoso central (neurocisticercose); no olho (intra-ocular); na pele (tecido celular subcutâneo); no fígado e em outras localizações mais raramente. Atinge preferencialmente adultos jovens, porém está sendo vista cada vez com mais frequência em crianças. Por isso merece grande atenção dos setores ligados à medicina curativa e à medicina preventiva.

Biológicamente a Taenia Solium pertence a classe dos cestóides, que são pequenos parasitas sem aparelho digestivo, de corpo achatado em forma de fita. São formados por proglotes, os segmentos fabricados pelo primeiro deles, a cabeça do verme, chamada de escólex. Os segmentos apresentam tanto órgãos genitais masculinos como femininos. Quando adultos os parasitas habitam o intestino do ser humano e absorvem os alimentos necessários para sua sobrevivência. No intestino permanecem presos pelos espinhos e ventosas existentes no escólex. O verme adulto elimina no intestino do homem os proglotes, repletos de filhotes, que saindo para o meio-ambiente junto com as fezes, são ingeridos pelo porco, que desenvolve a forma encistada, cujo nome técnico é CISTICERCUS CELLULOSAE. Quando o homem se alimenta de carne com cisticerco, popularmente conhecida como pipoca, desenvolve a teníase intestinal.

Outra forma de infecção humana ocorre quando nos contaminamos diretamente com os proglotes das fezes humanas. Considerada de longe a forma mais comum de infecção atualmente, esta terrível realidade ocorre através da ingestão de alimentos, principalmente vegetais, contaminados por fezes humanas. Por exemplo: quando uma cozinheira de lanchonete vai ao banheiro, não lava bem as mãos e volta a fazer sanduíches; ou quando colonos plantam alface usando esterco de porcos contaminados, ou mesmo esterco humano. Nesta situação, teremos filhotes de tênia livres no aparelho digestivo. Através da corrente sanguínea, se distribuirão por todo o corpo, incluindo músculos e cérebro. Nestes locais a circulação de sangue é grande, e os cisticercos se desenvolvem muito bem.

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