Na verdade, é complexo resolver o que podem fazer os vacinados para COVID 19. Fazer um exame de sangue de anticorpos neutralizantes não vai resolver o problema, até porque este exame não mede a imunidade celular. Só mede a chamada imunidade humoral, dos anticorpos que circulam no sangue. E o valor clínico deste exame não está estabelecido neste sentido. Também é muito provável que exista uma grande variação de qualidade nos exames oferecidos por diferentes laboratórios de análise clínica.

Em resumo, quando você recebe uma primeira dose de vacina, ou quando você tem contato com a doença em si, pelo menos com poucos sintomas – não vale contato assintomático – você adquire um terço de imunidade – 30% – contra ficar doente com uma COVID grave, hospitalar, de UTI ou morte. Quando você toma uma segunda dose da vacina, ou quando você tem uma doença grave, muito sintomática, você adquire uma imunidade de 2/3 – 65% – deste mesmo tipo, contra doença grave. Se sua vacina é Moderna ou Pfizer, a imunidade é maior, chega a 90%. Se a doença que você teve foi muito grave, de hospital ou UTI, a imunidade também é maior. Portanto, o que podem fazer os vacinados não é uma questão simples.

O problema que segue é composto de duas faces. Por um lado, a imunidade é temporária, como a da H1N1 e outras influenzas, que precisam vacinação anual. No caso do coronavírus, ainda não deu tempo de esclarecer esta questão, mas muito já se sabe.

https://www.medscape.com/viewarticle/948425?src=mkm_ret_210413_mscpmrk_punch_int&uac=297913MX&impID=3301338&faf=1

Existe um consenso entre 2/3 dos epidemiologistas de instituições acadêmicas de ponta – um tipo de profissional extinto no Brasil – que dizem que em 2022 o planeta vai precisar de vacinas novas ou modificadas. Em uma pesquisa de 77 epidemiologistas de 28 países feita pela People’s Vaccine Alliance, 66.2% previram que em um ano ou menos as variantes farão as vacinas atuais pouco eficientes. A People’s Vaccine Alliance é uma coalizão de 50 organizações como a African Alliance, Oxfam, Public Citizen, UNAIDS (the Joint United Nations Programme on HIV/AIDS). A boa notícia é que as mutações do SARS-CoV-2 são mais lentas que as mutações do vírus da influenza, e os vacinados ou quem já teve a doença permanece imune pelo menos contra doença muito grave. Os países precisam investigar os internados com sequenciamento de DNA, pois a maioria absoluta dos epidemiologistas – 88% – dizem que a baixa vacinação internacional vai propiciar o aparecimento de novas mutações, que cada vez serão mais resistentes às vacinas atuais.

Óbvio que isto é crítico para saber o que podem fazer os vacinados. Também para a questão das doses de reforço, ou 3as doses, como está sendo falado no Brasil. Na verdade, todos vão precisar ser vacinados novamente, alguns antes dos outros, ou talvez todos periodicamente. No Brasil, infelizmente, a falta da vacinas sempre é tratada de maneira enganosa, com esta questão de se vacinar antes os idosos, ou as grávidas. Na verdade, para evitar pandemias, só vacinando todo mundo quantas vezes se fizerem necessárias. E não importa muito qual vacina. Existe até uma ideia internacional, entre experts, que misturando vacinas se aumenta o espectro da resistência. Em outras palavras, variando as vacinas aumenta a chance de cobrir as novas mutações.

A velocidade de vacinação atual varia entre países que não vacinaram ninguém, e outros que vacinam uma pessoa por segundo. Segundo pesquisadores da Duke University’s Global Health Innovation Center, países ricos, que representam 20% da população do planeta, compraram 6 bilhões de doses. Países pobres, com 80% da população, compraram 2.6 bilhões. Portanto, a COVID 19 coloca o planeta frente a um problema parecido com o clima e o terrorismo. Se você ficar na sua, acreditando nos seus valores individuais, o bicho come. Se você corre, se torna uma humanista e pensa nos outros, o bicho pega, porque a maioria dos humanos só pensa em si mesmo.  

Nos EUA, quem está vacinado total, 2 semanas depois da segunda dose, pode viajar sem quarentena e sem fazer o PCR, mas deve usar máscaras.  Mas sempre que existe um pico de viagens, ocorre um pico subsequente de internamentos e mortes. Existe um resumo, então, na questão de o que podem fazer os vacinados?

Podem os avós abraçar os netos? Podem fazer uma pequena festa em casa? Deveriam não convidar o tio Otávio, que vive no bar sem máscara, ou a Francielle, que já sai para a balada e beija um monte de gente? A administração Biden diz que não se espera vida normal, como era antes de 2019, mas o fim do isolamento total está próximo. Por exemplo o convívio com pessoas também completamente vacinadas faz sentido. Portanto, pequenas festas com todos vacinados é uma realidade.

Mas usar máscara e manter uma distância segura das pessoas é essencial, para proteger os que não estão completamente protegidos, até porque mesmo os vacinados podem ter vírus em suas garganta e nariz, e passar para quem não esteja vacinado, ou cuja vacina tenha perdido o efeito.

Também ao visitar pessoas em lares, asilos, hospitais, e em locais de maior fluxo de pessoas, como aeroportos, shoppings, estádios, lojas, e assim por diante. Ou seja, as pessoas ainda precisam saber que neste tipo de local terão mais chance de passar ou receber um SARS-COV-2 power, brabo, pouco coberto pela sua vacina. Portanto, mais do que qualquer regra de qualquer instituição, as pessoas precisam refletir antes de agir. Lembrar que as vacinas são muito mais uma proteção contra ter a doença, e não tanto contra ter uma infecção.

https://www.mdlinx.com/news/can-vaccinated-people-still-spread-the-coronavirus/3UQc2MxkhexFQgIMkxhibx?show_order=2&article_type=recommended&tag=Evening&utm_campaign=3%2F23+Test+Group+B+8+recommendations+Evening+Alert&ipost_environment=m3usainc&utm_source=iPost&utm_medium=email&iqs=9z2z24nso94abij73b7to858l1ij26jqv7p9ndibglg

Quando uma vacina tem 95% de eficácia, significa que 95% dos vacinados não desenvolverão a doença. Alguns podem estar livres até de infecção, outros podem se infectar mas ficam assintomáticos porque seu sistema imune se livra do vírus rapidamente. Mesmo os 5% que ficam doentes, tem pouca chance de serem hospitalizados.

O próximo detalhe que as pessoas precisam captar é a carga viral. Quem tem muito vírus fica mais doente e transmite mais. As vacinas diminuem a carga viral, diminuem a quantidade de vírus que você elimina pelo nariz e pela boca, e diminuem o tempo durante o qual você está eliminando vírus. Um estudo em Israel, com 2897 pessoas, mostrou que os infectados vacinados tinham ¼ da carga viral dos não vacinados.

Um problema do SARS-CoV-2 são as mutações, que tendem a ser mais infectantes, ou seja, uma pessoa pode se infectar com uma carga pequena de vírus, e mesmo assim o vírus se replica e produz uma doença clínica. Não é difícil entender que conforme a população mundial for sendo vacinada, menos doenças graves e menos transmissão vai ocorrer. Com as novas mutações, os vacinados ainda podem se infectar e transmitir. Exatamente quanto tempo vai até ocorrer um equilíbrio entre vacinas eficientes e novas mutações, como já ocorreu com as influenzas, ainda não está claro.

Dr Paulo Bittencourt

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