As estatísticas refletem o curitibano na pandemia. No estado todo, temos o segundo pior índice de mortalidade do Brasil, que é o pior entre os países grandes do mundo. Portanto, corremos o risco de ter entre as piores mortalidades do mundo. Na linda e inteligente cidade de Beto Richa e Jaime Lerner.

https://www.bemparana.com.br/noticia/parana-tem-a-segunda-maior-media-movel-de-mortes-por-covid-19-no-brasil#.YLy7a_lKjIU

Esta realidade estatística é perceptível no comportamento do curitibano na pandemia. No meu prédio, uma moradora já de alguma idade não aceita entrar no elevador comigo, embora saiba que sou um triplo (COVID, COVID e gripe) vacinado, e veja que eu uso máscara KN95. Deve ser preconceito contra profissionais da saúde, pois não creio que eu pertença a outra minoria, e ela usa o elevador com a moça da limpeza, que usa o transporte público e mora na periferia. Outro morador, pai de família jovem, continua não usando máscara, e assim entra no elevador comigo. Ele e os filhos nunca usaram. Outra senhora, de muita idade, divide o elevador alegremente comigo e sua simpática cuidadora quando sai tomar sol. Afinal, somos todos vacinados. Vários moradores entram e saem do elevador com cotovelos e chaves, não colocam os dedos em nada. Devem estar obedecendo a instrução anacrônica pendurada no elevador, como a senhora que se acha no direito de andar só no elevador.

Meu conselho profissional, o CRM do Paraná, apoia a famigerada maringaense Nise Yamaguchi contra a CPI da COVID!!!!! Ou seja, eles são a favor de quanto mais gente possível ficar doente e usar cloroquina. Devem estar certos, o salário médico médio já foi calculado, e aumentou na pandemia. Meu clube também. Prefere que jovens desrespeitem as regras de aglomeração e máscaras por todo canto, e punem quem reclama. Dominado por advogados e membros do judiciário, parecem ter certeza de que não serão punidos por Rafael Greca, que, conhecedor de seu eleitorado, foi negacionista até ser eleito. Agora é um omisso. Fica dando boa notícia no seu Facebook e manda a Márcia Uçulak dar as más notícias na grande mídia.

O The Economist contou para todo mundo. O problema não são bem os políticos. O bolsonarismo é antigo no país.

https://www.economist.com/weeklyedition/2021-06-05

Médicos sabem que pacientes se dão muito mal quando assumem o controle de sua doença. Basta imaginar o que aconteceria se cada mulher resolvesse o que fazer com seu próprio câncer de mama. Esta é uma verdade ainda mais cristalina em doença mental. As pessoas não podem executar seu próprio diagnóstico e tratamento. Acabam se matando.

Antes de se matarem as pessoas que se automedicam e se autodiagnosticam ficam loucas, saem da casinha, deliram. Creio que este é o estado mental do curitibano na pandemia. Cada vez mais delirante ao conviver com as consequências horrorosas da “gripezinha” que “logo vai passar” e “melhora com tratamento precoce”. Ficam falando em terceira e quarta onda, quando na verdade a segunda onda pegou força na época da eleição de 2020, não passou, nem mostra sinais de que vai passar.

Dr Paulo Bittencourt

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