São muitas as pessoas com sequelas após COVID 19, com sinais e sintomas de síndrome pós-covid 19. Este tornou-se um problema de saúde pública no Brasil, em especial após a segunda onda da pandemia, que começou em novembro de 2020 e atingiu um pico de incidência em abril de 2021. Desde o verão médicos tem percebido um número crescente de pessoas com um quadro clínico de duração superior a 3 meses, com muita dificuldade física e mental para retomar as atividades do dia a dia. As pessoas têm uma mistura de cansaço físico e mental, dificuldades musculares intensas, perda de olfato e palato, fadiga e falta de ar. Elas contam que se sentem como se tivessem uma nuvem no cérebro; tem distúrbios de sono, febres intermitentes, sinais gastrointestinais, ansiedade e depressão.

Estatísticas britânicas indicam que 1 em cada 10 a 20 pessoas que testam positivo para COVID 19 tem o que é chamado de COVID-19 longa, crônica, prolongada ou sequelas após COVID 19. Este número é mal definido pelas dificuldades com testagem; permanece uma tendência a ser testado quem é mais sintomático. A síndrome pós-COVID 19 não tem sido observada após vacinação. A frequência varia com a gravidade da doença aguda. Até 80% das pessoas hospitalizadas por COVID 19 tem sinais e sintomas que persistem por mais de 3 meses, o que ocorre em 10% das pessoas que tem doença leve. Além do intenso sofrimento individual, estes números são preocupantes pela sobrecarga dos sistemas de saúde e para a retomada da economia. Como uma diarista, um faxineiro, um frentista, um esportista ou músico, uma médica ou um enfermeiro vão ficar afastados do trabalho por vários meses?

Neurologistas estão entre os especialistas que vem atendendo pessoas com sequelas após COVID internacionalmente, em especial nos EUA e Reino Unido, e na Dimpna em Curitiba. Algumas pessoas que nós conhecemos de longa data ficaram em um estado lastimável após a COVID 19. Internacionalmente está estabelecido um protocolo de atendimento com exame clínico, exames de sangue, de imagem e fisiologia, como eletrocardiogramas e eletroencefalogramas. A nossa experiência confirma as estatísticas internacionais: 40% destas pessoas tem sequelas físicas demonstráveis. Nos 60% que não tem, verificamos várias pessoas com um estado mental parecido com o de soldados que voltam de guerras, de pessoas que são sequestradas, sofrem violência física ou mental. O quadro mental lembra o stress pós-traumático, que tem um tratamento específico.

Parecem existir algumas realidades comuns a estes casos. Primeiro, o cenário que traz enorme medo de sofrimento e morte, piorado pela solidão do isolamento. Terceiro, as pessoas ficam sem chão. Durante o primeiro ano da pandemia os brasileiros mostraram como são cordatos, e continuaram seguindo seus líderes. Acreditaram no que ouviram, votaram e reelegeram políticos como Rafael Greca, muitas vezes em primeiro turno. Os brasileiros não queriam saber do coronavírus, e políticos deste naipe foram eleitos ou reeleitos. As consequências foram inesperadas, chocantes. As pessoas se sentem injustiçadas, com razão. A segunda onda no Brasil, assim como foi nos EUA e está sendo na Índia, parece ser um fenômeno eleitoral.

Talvez aí esteja a origem do quadro clínico que grande parte das pessoas relata, um misto de sequelas físicas e psicológicas de uma doença que parece ter muito maior impacto do que qualquer outra em nossa história. A Dimpna está preparada para investigar estes pacientes, através de exames clínicos, de sangue, imagem e fisiologia. O tratamento é uma reabilitação neurológica, física e mental, respeitando tanto as sequelas quanto a estrutura mental de cada um, em seu ambiente. A Dimpna tem experiência de 40 anos em reabilitação neurológica e mental.

Dr Paulo Bittencourt

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