O prazer na pandemia não mudou em sua essência, é uma emoção em grande parte solitária, de casal, ou de pequenos grupos. Vou listar o que tem mais me levado a sentir prazer na pandemia, nestes tempos estranhos. Xingar gente chata (nem que seja baixinho). Friozinho e sopa quente. Pijama largo. Baton violeta. Tirar o sapato apertado. Estralar os dedos. Matar a sede, inclusive de amor. Matar a fome, inclusive da alma. Rir alto. Esmalte azul. Cheiro de grama recém cortada. Vento no rosto de olhos fechados. Ventania. O sol da cidade do Porto em setembro. Musica instrumental em alto volume. Cheiro de carro novo. Olho no olho. Beijo na boca. Beijo na orelha. Beijo na Bochecha. Beijo. Rir de si mesmo. Sorvete de colher em cima da cama. Rir da vida. Ganhar presente surpresa. Bala de “dadinho”. Arrumar a casa para o Natal. Arrumar a alma. Apaixonar-se por outrem. Apaixonar-se por si mesmo. Dia de chuva. Bolo de baunilha. Romance. Comer com as mãos. Banho quente. Banho junto. Cama limpa. Lençol novo. Colo de mãe. Dormir com pet. Cheiro na orelha. Banheiro em “apuros”. Ouvir o nome. Falar para uma grande plateia. Cheiro de limão. Bolacha com recheio de doce de leite. Viajar. Viajar na “maionese”. Cantar no banheiro. Chopin. Haydn. Valsas. Piano. Xingar no trânsito. Arrancar um sorriso. Abraço de urso. Leite com Mel. Estar feliz. Gozar junto. Ser o amor de alguém. Dizer eu te amo. Meu travesseiro. Dançar forró. Filosofar embaixo de uma arvore comendo pepino em conserva. Ter amigas doidas. Ser doida. Conviver com gente alegre. Simplicidade. Ter de quem sentir saudades. Ser reconhecida. Noite de verão com lua cheia. Sentar no chão. Vinho branco gelado. Cheiro de roupa limpa. Banho de chuva. Regar lavandas. Mãos no cabelo. Gritar. Gritar teu nome. Fazer amor. Sonhar dormindo. Sonhar acordada. Cheiro de pão assando. Figo na salada. Doce com salgado. Preto no branco. Filosofia de boteco. Filosofia. Boteco. Bom papo. Cachoeira. Cheiro de mar. Vento despenteando as arvores. Fogueira de São João. Acampamento. Por do sol. Natureza. Maturidade. Ter um lugar onde ninguém entra sem permissão. Intimidade. Toque. Jubilo. Brilho. Vida, onde quer que ela exista; sob todas as formas. O desconhecido. O legado. Do prazer, para adiante e para sempre. De um para outro… e o prazer fica assim, suspenso no ar, para todos e para alguns. Como o caqui maduro que alto no galho, fica preso, olhando para baixo convidando para o “desfrute”. O inconsciente coletivo da felicidade. Expandido fica assim… não cabe no peito. E esta foi minha lista da diversidade do prazer na pandemia.

Ana Luiza

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