Fica claro para muitos de nós que que dicas para jovens na pandemia são necessárias. Talvez por serem o segmento mais gregário da população, é claro que também são os que mais sentem o distanciamento social. Os chamados geração Z, nascidos entre 1996 a 2012, hoje com 15-20 anos na média, são as pessoas que mostram o maior declínio em saúde mental desde que começou a pandemia. Em um artigo publicado em 4.12.2020 pela American Psychological Association e University of Washington School of Medicine, 34% de 3409 adultos jovens da geração Z relataram piora de saúde mental. Em seguida vieram os millenials, nascidos de 1981 a 1996, hoje em média com 10 a 15 anos (19%); depois os baby-boomers, nascidos entre 1946 e 1964 (12%) e adultos mais velhos (8%).

Esta divisão das gerações se aplica aos países ocidentais e pode ser verificada na prática. Os baby-boomers, por exemplo, foram criados com uma sensação como que nascida com eles de que poderiam esperar um mundo melhor quando crescessem, ou quando ficassem velhos. É o meu caso. Uma das maiores frustrações que eu sinto, é quase um desespero, é verificar que o mundo está muito mais difícil, muito pior do que na minha infância e juventude. Pior não só para mim, mas para meus filhos, filhas e, eventualmente, netos e netas. Asssim, cientistas sociais do comportamento definiram bem estas gerações.

Os sintomas da geração Z são comuns de depressão inespecífica. Mais de 7 em cada 10 disseram ter se sentido cansados e que ficaram sentados sem fazer nada, se sentiram inquietos, não podiam pensar direito, concentrar-se, se sentiram sós, miseráveis ou infelizes. Estas estatísticas se refletem na realidade que nos circunda. Christine Lee, professora de psiquiatria e comportamento na University of Washington School of Medicine em Seattle, disse que falou com várias pessoas na comunidade que lhe contaram dos desafios que jovens estão enfrentando. Uma contou da filha que voltou ara casa após voltar do college em outro estado. Ela tem estado triste, chora muito, sente falta dos amigos, tem dificuldade com as aulas online. Christine vem monitorando solidão, e percebeu um aumento depois de janeiro de 2020. Ela mantém um programa que identifica estas pessoas e entrega estratégias para os jovens administrarem stress, aumentarem apoio social, e cuidar da ingesta de álcool, que pode levar a outros riscos na pandemia. São dicas para jovens na pandemia prolongada vindo de especialistas que estão interessados no assunto.

https://www.newswise.com/articles/tips-and-tools-to-help-young-adults-through-pandemic

Com o início das férias e a manutenção das restrições, as pessoas podem seguir algumas dicas para jovens na pandemia, que incluem resiliência, segundo Jennifer Cadigan professora da mesma equipe em Seattle: reconheça a existência e normalize suas emoções nestes tempos, como sentir medo, ansiedade, solidão. Muitos jovens estão se sentindo solitários e isolados. Se você está assim, existem coisas que você pode fazer para melhorar seu humor. Se mantenha conectado socialmente. Identifique sua rede de apoio e entre em contato, seja por texto, e-mail, ou telefonema de qualquer tipo. Reflita sobre as coisas boas de sua vida, foque no que for bom, por menor que seja. Pense em atividade que você pode controlar e vá fazê-las, como conversar com alguém, sair para andar ou dedicar-se a um hobby.

Se você optar por beber, tome alguns cuidados. Se for álcool, não tome mais que 3 drinks por ocasião. Se for beber por stress, tente trocar o gerenciamento do stress por outra coisa, como conversar com um amigo, assistir algo na TV ou sair andar. Se você está bebendo por razões sociais, para ter companhia, pense em atividades sociais, mesmo que remotas, que não envolvam álcool. Talvez uma noite de jogos, cinema, alguma outra coisa em rede com amigos e colegas? Lembre-se que suas emoções são normais, comuns a muitas outras pessoas. Se você se sentir em um turbilhão, enfrentando e sendo soterrado por estas emoções, procure atenção, até mesmo assistência. Existem canais de ajuda, estão aí para isso.

Dr Paulo Bittencourt

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