Não é difícil prever o que Biden vai fazer com Bolsonaro e seguidores. O que ele já disse e fez desde que venceu a eleição indicam um caminho claro. Os EUA pertencem a esta liga de países continentais, como Índia, Rússia, Brasil e China. São como porta-aviões que seguem seu caminho. Mudar de curso exige energia e demora tempo.

Joe Biden tem 78 anos, a mesma idade de Bill Clinton, dos Beatles e Rolling Stones. Nasceram durante a 2ª Guerra Mundial. São guerreiros vencedores, bem educados. Para que seus pais derrotassem o mal, passaram privação durante infância e adolescência. O primogênito de Biden, “Beau”, era um major decorado de Guerra do Iraque, procurador geral estadual, enveredando pela política, quando morreu de câncer. Teria hoje 50 anos. Joe Biden sempre deixa claro que “Beau” era uma versão melhorada dele. Era o filho que ele imaginava que viria a ser presidente.

Joe Biden já aprontou com a direita branca anglo-saxã que apoia Donald Trump escolhendo Kamala Harris. Uma imigrante de cor de 56 anos não é só sua vice, mas óbvia futura presidente. Kamala foi solteira até os 49 anos, workaholic de brilho e charme indiscutíveis, que adotou a família do agora marido, um advogado de sucesso. Eles são típicos californianos, como Biden é um típico branco liberal do norte da Costa Leste. Trump não é mais benvindo em New York. Mudou-se para a Florida. Pense que Trump já foi uma reação desta direita americana ao negro Obama, e à mulher Hillary Clinton. Percebe o inferno apocalíptico em que a direita se encontra, que a levou a atacar o Capitólio? Algo impensável, delirante, que jamais daria certo, e teria consequências graves. É neste quadro que se encaixa a previsão do que Biden vai fazer com Bolsonaro e seus seguidores.

Agora Biden está realmente enchendo seu primeiro e segundo escalões de pessoas de cor e de mulheres, refletindo a diversidade dos EUA. De uma forma que Clinton tentou, e Obama não executou. Sua esposa Dr Jill Biden foi quem indicou a poetisa “negra magricela” Amanda Gorman, talvez a maior estrela da Inauguração do novo presidente, dia 20 de janeiro. Imagino que no meio destes indicados vem gente de todo sexo que se possa imaginar. Biden está seguindo a regra mais básica que Machiavelli recomenda aos príncipes. Faça todo mal logo que assume o poder, e depois faça o bem lentamente, durante todo seu tempo no poder.

Joe Biden já disse, com palavras muito claras, que a pandemia é uma guerra como a 2ª Guerra Mundial, que deu a música e as cores à sua vida. A minha geração, que nos EUA são chamados os baby-boomers, nascidos logo após a 2ª Guerra, temos imenso respeito pelos guerreiros que derrotaram o fascismo imperialista da Alemanha, Itália, Japão, que eram o resultado ainda do fim dos impérios austro-húngaro e otomano. E depois estes mesmos guerreiros derrotaram os soviéticos, resultado do império czarista.

O raciocínio de Biden é límpido e previsível. Os EUA estão se movendo, não tão lentamente porque as mudanças colocadas por Donald Trump duraram pouco tempo. Suas medidas provisórias e suas nomeações terão efeito mais rápido, com o apoio do congresso, da população e dos aliados estrangeiros. O país vai se reposicionar mais agilmente que um porta-aviões, talvez como um destroyer, ainda não tão rápido como um caça F5. Mas da mesma forma que ocorreu na 2ª Guerra, Biden vai eliminar, erradicar a direita extrema. Bolsonaro incluído. Com bloqueios financeiros e físicos, usando todas as armas que os EUA têm, Biden vai escorraçar a direita extrema, em especial figuras patéticas como eram Hitler e Mussolini. Vai varrê-los para o rodapé da história, e depois colocar Kamala para mantê-los amassados pelos próximos 50 anos. Nem que precise destruir o Brasil, como precisaram soltar bombas atômicas no Japão e não deixar pedra sobre pedra na Alemanha.

Vários dos aliados de Trump, como Boris Johnson e Bibi Netanyahu, logo aceitaram a vitória de Biden. Estes são realistas e pragmáticos, e não quiseram testar. Vão assistir de camarote o que Biden vai fazer com Bolsonaro e líderes do mesmo naipe. Ficaram reticentes até agora recentemente Bolsonaro, Putin, e poucos outros. Putin, como se sabe, controlava Trump como um fantoche e dará apoio a Bolsonaro, além do outro delirante, Kim da Coréia do Norte. Nesta companhia, Bolsonaro vai cair sozinho. Talvez até pelos escândalos de genocídio associados com a pandemia. A China quer a queda de Bolsonaro. Biden só precisa ficar quieto e aguardar, nem respondeu à ridícula carta enviada por Bolsonaro por ocasião de sua posse. Alguém acredita que Putin vai ajudar o Brasil? Ou que os militares brasileiros vão querer trocar EUA, Japão e Europa por Putin?

Posso prever que Biden e Harris vão usar todo o poderio à sua disposição para eliminar, erradicar, varrer do mapa, se possível bloquear como um vírus de computador, ou matar mesmo, esta direita extrema alucinada, que inventa comunistas e conspirações eleitorais, e ignora a realidade planetária, visando um benefício próprio imediato, de curtíssimo prazo. Lembro que a Lava Jato foi obra americana do tempo de Bush e Obama. Portanto, é de se prever que Lula e o PT não serão os escolhidos. Quem vem após Bolsonaro é a questão.

Os EUA também vão atacar os outros direitistas mais extremos, como Orbán, Obrador e Duda, presidentes da Hungria, Mexico e Polônia. E não vão dar vida fácil à Kovind e Modi, da India. É provável que restabeleçam as relações muito mais cordiais que Obama tinha com o que sobrou da esquerda em Cuba, e, talvez, até na Venezuela. Mudanças nesta geopolítica serão mais comedidas e lentas, a postura vai mudar menos rapidamente, até porque depende da relação com os chineses. Talvez fique para Kamala erradicar estes inimigos mais articulados, menos delirantes, mais educados e discretos em suas aspirações genocidas, e criar pontes para levar Venezuela e Cuba à democracia. Estas manobras já estão em curso. A Pfizer e a CNN estão atacando enquanto Modi está ajudando Bolsonaro e Pazzuello na guerra das vacinas.

Dr Paulo Bittencourt

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