Créditos de imagem: El Pais.

Existem muitas questões prementes sobre vacinas de COVID 19. Eu posso tomar vacina de COVID 19? A Coronavac ou a vacina da Oxford são seguras? Algumas das vacinas é uma vacina viva? Qual é o tempo e a amplitude da imunidade das vacinas? Estas perguntas devem ser dirigidas aos profissionais de saúde que atendem os portadores de esclerose múltipla, lupus, artrite reumatóide ou outras doenças imunológicas, mas algumas afirmações podem ser feitas de maneira generalizada. Aqui estão respostas.

Posso tomar vacina agora?

Agora não. Nossa impressão é que pacientes que vivem em abrigos e lares, institucionalizados, serão os únicos vacinados nos meses de janeiro e fevereiro. Além de profissionais da linha de frente de enfrentamento da pandemia. E algumas populações frágeis, como índios. Não há necessidade de procurar as vacinas. Os órgãos públicos virão a você. Pelo menos este é o plano. As vacinas estão chegando ao Brasil de maneira irregular; são vacinas diferentes, e serão aplicadas de acordo com uma lista de prioridades.

Quais vacinas podem chegar ao Brasil?

A Coronavac, que se chama Sinovac na China, está sendo introduzida no Brasil pelo Instituto Butantã, de São Paulo. A Oxford, de origem britânica, está sendo introduzida no Brasil pela Fiocruz, baseada no Rio de Janeiro. A Oxford é produzida pela Astra Zeneca, uma multinacional, e tem uma de suas grandes fábricas na India. Ambas usam um princípio ativo, o IFA, fabricado na China.

Outras vacinas podem chegar ao Brasil, dos meses de março e abril em diante. As da Moderna e da Pfizer precisam ser armazenadas em freezers a -75°C, que existem em universidades, grandes laboratórios de análises clínicas, e em cooperativas agrícolas, onde são utilizados para guardar sêmen animal. Estes freezers estão cheios de material. A vacina russa Sputnik V pode ter uma evolução mais rápida, pois seus direitos foram adquiridos por uma empresa privada brasileira, a União Química, que talvez tenha mais agilidade nas negociações com o Ministério da Saúde e ANVISA. Tanto britânicos como alemães tem tentado se associar à Sputnik V, o que pode indicar que enxergam bom potencial. Já está sendo fabricada em território nacional, mas atropelou as fases de pesquisa exigidas por organismos como a ANVISA, e não se sabe o que vai ocorrer.

Quando poderei me vacinar?

O mais provável é que a maior parte da população seja vacinada no segundo semestre de 2021 e em 2022. A situação de conseguir ser vacinado vai variar neste primeiro semestre de 2021, conforme o lugar, e conforme o tempo for passando. Distribuir uma vacina em um país como o Brasil é complexo. Fica mais difícil em meio a uma pandemia. Um pouco mais complicado quando temos uma situação política nebulosa, indefinida, dominada por lutas de poderes. Talvez a melhor atitude para cada pessoa é manter acesso ao médico que é de sua confiança, e seguir suas orientações.

Por enquanto não há previsão de vacinação privada, particular. Todas as vacinas serão incluídas em um plano nacional e distribuídas pelo Ministério da Saúde, seguindo grupos de prioridade. Internacionalmente, estes grupos tem sido, em ordem:

Os profissionais da saúde que atendem a COVID 19; pessoas com mais de 80 anos, pessoas frágeis residentes em lares e abrigos, populações frágeis como índios; outros profissionais de saúde; pessoas de mais de 75 anos de idade; pessoas com mais de 65 anos de idade; pessoas de 14 a 65 anos de idade com doenças graves em atividade – aqui entram câncer e doenças imunológicas; pessoas com mais de 60, depois as com mais de 50 anos de idade. Finalmente o restante da população.

E esta confusão de vacinas diferentes, no que posso confiar?

Lembre que vacinas só são aprovadas para uso quando passam por testes muito robustos de segurança e eficácia. Estes processos foram executados de maneira muito mais rápida nesta pandemia devido à seriedade da situação. A recomendação é que as pessoas confiem em suas instituições e tomem vacinas assim que possível. Não só para se proteger, mas também pelo sentido de coletividade. É a única maneira de contornar a pandemia mais rapidamente. O processo científico e técnico de produzir vacinas dura anos. No caso da COVID 19 tudo foi feito mais rápido. Porém, a ciência e os métodos industriais e laboratoriais progrediram muito e permitem este avanço tecnológico. 

O fato de existirem vacinas diferentes é positivo. Com o tempo saberemos quais são mais eficientes para qual situação, como ocorreu com todas as vacinas já existentes. O interesse dos organismos nacionais e internacionais é coletivo, visam resolver os problemas como a pandemia com o menor custo, para que mais vidas possam ser salvas e a sociedade possa viver normalmente. Talvez, com o tempo, se descubra que certas vacinas são melhores para uso periódico, cada tantos anos, ou em certas populações, como idosos, mulheres grávidas, portadores de câncer ou de doenças imunológicas, e assim por diante. Talvez, certas vacinas sejam mais simples de guardar e utilizar, e possam ser mais apropriadas para países pequenos, ou grandes, com diferentes realidades em seus sistemas de saúde.

As vacinas Coronavac, Oxford, Moderna, Pfizer, Sputnik, são seguras?

Sim. Nenhuma da vacinas é viva, ou mexe com a genética da pessoa. A Coronavc, Oxford e Sputnik são tradicionais. Podem até não ser tão eficientes no caso de cada pessoa, mas não vão fazer mal a ninguém. As vacinas da Moderna e da Pfizer usam uma tecnologia mais moderna, chamada de RNA mensageiro. Porém, quem lembra das aulas de Biologia do ensino médio, sabe que o RNA mensageiro não entra nas células, portanto não tem como mexer na genética ou no DNA das pessoas, que fica no núcleo da célula.

A vacina Oxford, da Astra Zeneca, usa uma parte de um vírus que causa um resfriado comum em chimpanzés, com seu código genético mudado, para produzir uma resposta imunológica sem causar doença. É uma tecnologia chamada de “vetor”, que contém a informação de uma parte do coronavírus, a chamada proteína spike, que o coronavirus utiliza para entrar nas células. Esta proteína é reconhecida pelo sistema imune da pessoa e previne a COVID 19.

Vacinas vivas contém uma versão atenuada do vírus que pretendem prevenir. São as mais antigas de todas. Um exemplo é a de febre amarela. Estas vacinas devem ser evitadas por pessoas que fazem quimioterapia, tomam corticoide ou muitos dos medicamentos biológicos disponíveis hoje em dia para tratamento. As vacinas de COVID 19 não são vivas.

As vacinas de COVID 19 ainda não foram testadas em pessoas com esclerose múltipla ou outras doenças imunológicas. Mas muitas pessoas já receberam a vacina nos EUA e Europa, logo teremos seus testemunhos e artigos científicos sobre o assunto.

Qual o tempo e qual a amplitude da imunidade das vacinas?

A resposta simples é que as vacinas existentes conferem imunidade parcial durante vários meses. Porém, esta é a minha avaliação, generalizando o que se conhece atualmente sobre as vacinas que aqui mencionamos. Talvez o melhor seja cada um de nós entender que as vacinas não conferem proteção pessoal absoluta. Sua maior vantagem é coletiva, diminuir a transmissão comunitária do coronavírus, e assim terminar a pandemia, mesmo que seja com vacinações múltiplas e repetidas. A outra grande vantagem é diminuir os casos graves, as hospitalizações, internamentos em UTI e mortes.

Os neurologistas britânicos publicaram uma posição sobre o assunto em seu país, o mais avançado neste campo de vacinas de COVID 19. Foi o utilizado para produzir este texto, adaptado ao Brasil de janeiro de 2021.

.https://www.mssociety.org.uk/care-and-support/ms-and-coronavirus-care-and-support/ms-and-covid-19-vaccine?utm_source=Facebook&utm_medium=organic_post&utm_content=vaccine_blog_fb&fbclid=IwAR1KX7cR7FoXThyEzEuVhzoQJEeQNVRXctb2u4iX2sHFw9EIBtYYnWr1sT0

Dr Paulo Bittencourt

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