Com respeito ao Coronavirus Covid 19 em Curitiba, a situação no início de junho é relativamente confortável. São 3 meses e meio dos primeiros posts aqui colocados, quando estabelecemos na Dimpna isolamento protetor como os utilizados em transplantes de células tronco. Curitiba teve uma reação quase como as da Dinamarca e Alemanha, que, neste período, controlaram a curva ascendente e produziram uma curva descendente de incidência diária de casos novos. O problema é que ainda estamos ascendendo, com em torno de 30 novos casos por milhão de habitantes por dia. Com a confusão de sinais das autoridades, agora piorada pela atitude confusa do prefeito Greca e a omissão do Governador Ratinho Jr, é difícil prever onde vamos parar. Abrimos tudo com a curva ascendendo. Ninguém fez isso na Europa, Ásia ou América do Norte. Estamos com mais de 60% dos leitos hospitalares ocupados para Covid 19. A situação é mais aguda do que em qualquer período passado. Há um mes tínhamos 10 casos novos por milhão de habitantes por dia e 15% de leitos ocupados.

Nossa situação com respeito à pandemia do Coronavirus Covid 19 em Curitiba e no Paraná é pior do que na Nova Zelândia, Vietnam e Coréia do Sul. Estes países mataram a epidemia na casca, e não tem mais casos novos em número significante. Controlam pequenos surtos localizados com o sistema epidemiológico centenário de traçar contatos de doentes, testar e isolá-los. Porém nossa situação é melhor que muitos estados e regiões do Brasil, Itália, Espanha, Grã-Bretanha, EUA, que tiveram entre 100 e 200 casos novos por milhão de habitantes por dia quando seus sistemas sanitários e funerais colapsaram. O problema é que ainda estamos ascendendo, sem isolamento social real, praticando “terraplanismos” como isolamento vertical, deixando quem se julga jovem e forte achar que a COVID 19 é uma gripezinha.

Dr. Paulo Bittencourt | Dimpna

Nós conseguimos atrasar o início da curva ascendente da pandemia do Coronavirus Covid 19 em Curitiba e no Paraná em 3 meses. As pessoas e as estruturas estão em parte preparadas para a fase de espalhamento rápido do vírus. Mas o custo social e financeiro foi grande. A sociedade está conflagrada. A revolta está nas ruas e na mídia. Cada um resolve o que quer, faz o que decide, com sinais contraditórios e conflagrados de níveis diferentes de governo.

Minha impressão é que agora a chance de contágio pelo Coronavirus Covid 19 em Curitiba e no Paraná aumenta muito. Qualquer espaço ou situação com fluxo intenso de pessoas ou com mais de 20-50 pessoas juntas é muito perigoso. Com certeza estarão ali portadores sintomáticos ou assintomáticos. Pior se for espaço fechado, como trem, avião, ônibus, recepção de hotéis, hospitais, órgãos públicos, postos de gasolina. Aeroportos e rodoviárias são certeza de contágio. Pessoalmente, estou de luvas desde o fim de fevereiro, e de máscara desde que foi se tornando obrigatório. Já há muitos anos eu me comporto de uma maneira que luvas são mais importantes que máscaras, mas desde abril uso ambas direto. A clínica Dimpna segue uma rotina como usamos há 15 anos para transplantes, chama-se isolamento protetor, e segue as regras das autoridades sanitárias.

Existem duas notícias ruins. São conselhos para cada um resolver como melhorar a chance de sair vivo desta bagunça. Uma é que esta situação não vai passar logo. Só vai melhorar quando uma vacina for amplamente disponível. Com muita sorte, no fim de 2021. Caso contrário, só quando ocorrer a imunidade de rebanho, em 2024 ou 2025. A outra notícia é que a reação brasileira à pandemia foi ruim. Vamos enfrentar um cenário difícil, talvez menos grave que o resto do Brasil. Nós aqui do sul nos demos melhor, somos mais disciplinados, mas estamos entrando no período mais difícil agora. Precisamos cada vez mais nos espelhar nos que se deram bem, e não nas ideologias de gente que não conhece epidemiologia ou saúde pública. Tanto as pessoas como as autoridades deveriam ter o comportamento de neo-zelandeses, coreanos, dinamarqueses e vietnamitas.

Dr. Paulo Bittencourt

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