As consequências do coronavírus na comunidade podem ser atenuadas por medidas que o Centers for Disease Control americano colocou em um manual completo, didático e referenciado; contém o conhecimento adquirido com as epidemias de influenza e SARS, e os estudos que foram realizados sobre ações comunitárias em vários países. O gráfico abaixo mostra o efeito hipotético da adoção das manobras corretas de atenuação de epidemia.

https://www.cdc.gov/mmwr/volume

impacto das ações comunitárias para o vírus coronaDr. Paulo Bittencourt

Efeito das ações comunitárias para o vírus corona

s/66/rr/rr6601a1.htm

Médicos e outros profissionais da saúde chamados de epidemiologistas fazem experimentos controlados, por exemplo comparando as taxas de contágio observadas em comunidades que fecharam escolas ou instruíram as pessoas para permanecerem distantes um metro uma da outra. Também já foi intensamente estudado se vale a pena lavar a mão corretamente ou usar vários tipos de líquidos sanitários equivalentes ao nosso popular álcool gel.

Neste momento um dos melhores textos disponíveis para entender como funciona o coronavírus na comunidade, em português, que parece resumir bem manuais da OMS e do CDC, é:

https://especiais.g1.globo.com/bemestar/2020/coronavirus/?_ga=2.52117548.480797349.1582951351-1236545076.1581014385&fbclid=IwAR0w_PwLqgocksINfM5WT08walxEn9jCFpnAQ1GfEhMwFA8gnZ8dz1MXVCM

outro é : https://arte.estadao.com.br/brasil/geral/coronavirus-china/media/images/coronavirus.pdf

Os profissionais que atendem o problema da epidemia de coronavírus na comunidade precisam captar que o problema existe. Precisa cair a ficha. São necessárias atitudes pró-ativas. Para atenuar as consequências do coronavírus na comunidade as pessoas devem ser estimuladas a lavar as mãos frequente e corretamente. É importante esperar a água corrente escorrer e limpar o sabão das mãos pelo tempo que demora para cantar Parabéns a você. Higiene das mãos com líquidos disponíveis é um pouco menos eficiente. Máscaras impedem que pessoas doentes espalhem o vírus. Não devem ser utilizadas de rotina por quem não está doente. Em caso da pessoa perceber que está desenvolvendo um quado gripal um pouco mais grave, especialmente com tosse seca e febre, deve se isolar e buscar atendimento por telefone.

As autoridades que devem resolver as ações sobre a ocorrência do coronavírus na comunidade são as da saúde. Se a epidemia for iminente aglomerações são desestimuladas, com orientação de que as pessoas permaneçam a dois metros umas das outras, sem contato físico, tentando não colocar a mão nas coisas, e tentando não levar a mão ao rosto inteiro. Colocar máscaras para impedir que cada um leve as mãos ao rosto vai causar falta de máscaras, pois elas precisam ser trocadas a cada poucas horas. Conforme a epidemia vai chegando aglomerações são proibidas, até chegar no bloqueio total aplicado em Wuhan e na Coréia, depois no Japão e Europa.

A experiência da China é didática. Os primeiros casos foram diagnosticados em 17-18 de novembro de 2019, mas tudo permaneceu abafado até explodir a epidemia em 10-15 de janeiro – dois meses depois. Na China e países vizinhos, as crianças não vão à escola desde então. São mais de 180 milhões de crianças sendo ensinados em casa através de celulares e vários tipos de computadores. A impressão internacional é que a China foi bem em suas ações comunitárias. O pico da epidemia passou no início de março, outros dois meses depois. Agora ocorrem  mais casos fora do que lá.

https://www.theguardian.com/world/2020/mar/13/first-covid-19-case-happened-in-november-china-government-records-show-report

A China é uma ditadura totalitária, todo mundo obedece orientações e ordens. Os países europeus tem sistemas de saúde públicos que abrangem toda a população. Na África quase não existe estrutura para ser mobilizada. Nos EUA e Brasil o sistema da saúde é em grande parte privado. Pior é que mesmo no sistema público, como no SUS, os profissionais recebem por procedimento. Não são sistemas de saúde, e sim de doença, sistemas que não sabem fazer prevenção. Na prática, nem temos epidemiologistas. Temos profissionais que lucram com a doença e políticos, que tomam atitudes ideológicas. Donald Trump faz reuniões com empresários e Bolsonaro é terraplanista. O Ministro Mandetta se revela um médico de verdade: tardiamente, usa as armas disponíveis. Vamos tratar uma epidemia, talvez como as de Wuhan, Iran e Itália, onde a atenuação chegou tarde. Tudo deve durar os próximos 6 meses, o outono e inverno.

Outros países orientais menores, em especial a Coréia do Sul, tiveram muito sucesso em aplainar o pico da epidemia do gráfico lá em cima deste artigo. Foi devido ao lockdown – fechamento de tudo – associado à busca ativa com exames de sangue e swab de todos os contatos, e seu isolamento. Esta segunda parte só está fazendo parte dos planos dos americanos agora, e não é parte do plano brasileiro.

Na Escócia, Irlanda e Austrália pessoas que acham que estão doentes passam de carro pelo atendimento, um drive-through, tem amostra colhida, e vão embora, para minimizar contato e contágio. Em todo o Reino Unido já existem clínicas separadas para suspeitos e doentes de coronavírus, como o hospital que os chineses construíram em dias. Um paciente chegando a um hospital ou posto de saúde pode contagiar um enorme número de pessoas. Assim, as pessoas devem ser orientadas a procurar atendimento com calma, agendado. O hospital específico dos chineses seguiu o mesmo pensamento do hospital curitibano que colocou um container no seu estacionamento para atender a epidemia de influenza H1N1 en 2009-2010. No Brasil de 2020 esta separação não está ocorrendo. São grandes hospitais que estão sendo procurados pela população através de seus sistemas de saúde, com imenso risco de contaminar justamente quem precisa atender os doentes.

As duas característica do coronavírus na comunidade são o contágio muito fácil e a mortalidade para idosos e doentes crônicos. Daí a necessidade de extremo isolamento dos profissionais que atendem doentes.

fatalidade por idade do corona virus na China

Decisões estratégicas como fechar escolas, restaurantes, shoppings, tem consequência. Calculam os britânicos que 20% da força de saúde, policial ou de bombeiros pode ficar incapacitada; a orientação é que só atendam chamados graves ou urgentes. Portanto, a primeira providência é a composição de uma sala de guerra, com uma equipe dedicada à epidemia de coronavírus na comunidade.

No Brasil, as recomendações só estão ficando mais claras nesta 3a semana de março. Como também não sabemos o número real de infectados por que não fazemos busca ativa e isolamento de contatos, só podemos torcer que o fechamento progressivo de todo o país nesta semana esteja no momento correto e tenha pelo menos um efeito parcial no gráfico lá em cima deste artigo, aplainando o pico da epidemia.

http://www.saude.curitiba.pr.gov.br/images/Fluxo_nCoV_02mar2020-SMS-Ctba.pdf

http://www2.ebserh.gov.br/documents/210672/4823854/Fluxograma+Coronavirus.pdf/db080561-e4bd-4485-aa3e-80afc5ad6d20

Nós estaremos mantendo atualizações de notícias médicas e científicas sobre o coronavírus em Curitiba através de nossas páginas no Facebook

https://www.facebook.com/dimpnaunineuro/

https://www.facebook.com/Dimpna.Neurologia/

Dr Paulo Bittencourt

Dimpna         Rua Padre Anchieta 155 80410030, Curitiba, Brasil

55 41 32228801 (fone)  55 41 999960808 (cel)   55 41 999860431(watts)

Compartilhe este artigo: