A rachadinha Bolsonaro é uma realidade sobre a qual resta zero de dúvidas. O que salta aos olhos é o Ministério Público Federal resolver agir na véspera do início das férias forenses, quando começa o período durante o qual o Brasil bebe, transa, toma sol e chuva. Quando os brasileiros acordarem, as provas obtidas nas buscas e apreensões da rachadinha Bolsonaro de 18 de dezembro terão sido maquiadas, evidência do que os generais próximos a Bolsonaro chamam de demonstrações de lealdade de Sérgio Moro. Até Reinaldo Azevedo sai de férias em 20 de dezembro.

Não é óbvio que a agressão judicial a Lulinha foi um desvio de atenção? Para justificar uma agressão ao filho de Messias, agrida o filho de Lula de maneira tão ridícula quanto o triplex de Guarujá. No caso, é notório que existem muito mais razões provadas para Bolsonaro 01 estar preso do que Lulinha. Da desonestidade absoluta do Ministério Público Federal resta pouca dúvida, vide livro de Janot, impunidade de Aécio Neves e José Serra, morte do Reitor Cancellier, ataque ao bebê, neta de Ricardo Mac Donald Ghisi, procurador curitibano pedófilo assumido, procurador preso no Rio de Janeiro por má fé no caso que quase derrubou Temer envolvendo Fachin e os Batista, e assim por diante. É um organismo de extrema frieza e crueldade. Corrupto por definição, no sentido que não cumpre sua função constitucional e serve a interesses espúrios, como amedrontar Luiz Carlos Cancellier e Gustavo Fruet.

O que salta aos olhos de quem realmente presta atenção é que o interrogatório de Lula em Curitiba, com um esquema de segurança de parada nazista, visto talvez só na morte de Senna, e sua prisão em outro esquema cinematográfico, foram diretamente associados com procedimentos que livraram o ex-deputado Ribas Carli da prisão. As idas e vindas das datas do interrogatório e da prisão foram as mesmas de procedimentos que depois levaram o Tribunal de Justiça do Paraná a livrar o herdeiro Slaviero da cadeia.

Alguma coisa fora do meu radar, como livrar algum colaborador de algum pepino real, deve ter sido submersa pela um pouco menos cinematográfica prisão de Temer. Os protegidos do Ministério Público Federal e da República de Curitiba cometem crimes reais, e não por intenção da esposa traída, como o triplex de Guarujá. Os holofotes que Moro e o Ministério Público Federal garantiram para tudo que se relacione com Lula e o PT foram covardemente utilizados para livrar o PSDB e associados, como o PP, de crimes reais: corrupção da realmente grossa, mortes, cocaína e pedofilia. Como se diz nas redes sociais sobre a rachadinha Bolsonaro, as pessoas ficam admirando a queda de lambaris, enquanto tubarões nadam de braçada.

Assim a rachadinha Bolsonaro foi cozida em banho Maria durante 2019, e um espetáculo montado para o Brasil imaginar que o Ministério Público Federal é sério. Em seguida, vamos esquecer os detalhes nas brumas do álcool, chuva, sol e sexo que nos ocupam do Natal ao Carnaval. Acredito que a investigação da rachadinha Bolsonaro vai dar em pizza, vão anular provas documentais já nos autos, testemunhos e confissões. Talvez até do próprio Queiróz. Aliás, com a experiência curitibana do assunto. Um enorme esquema semelhante operou durante décadas em Curitiba. Só o operador, Bibinho, ficou preso. Nenhum político foi punido. E em março de 2020, ninguém vai lembrar mais.

Quem tem know-how estabelecido de organizar estas tramoias que mais parecem uma teoria maluca de conspiração é a escola judicial da Universidade Federal do Paraná, de onde vem parte dos desembargadores do TRF-4, e autoridades como Sergio Moro e Edson Fachin. Existe outro personagem ainda mais poderoso, Marçal Justen Filho, que opera à distância, como Olavo de Carvalho, nos EUA. E seu mentor, René Ariel Dotti. Muitos acham que a direita sul-brasileira aprendeu estes mecanismos com americanos. Eu acredito que sempre souberam montar estas farsas complexas. Tenho experiência pessoal de sofrer as consequências do “rito judicial” paranaense há 30 anos. Já era assim nos anos 1980. E nos anos 1960 e 1970 estas conspirações mafiosas também já existiam. A série “Making a murderer” mostra como estas conspirações eram realizadas no interior dos EUA há algumas décadas, envolvendo todo o poder de segurança e judicial, com objetivos difíceis de esclarecer, muitas vezes violentos, como jogar uma névoa sobre crimes de pessoas que pertencem ao grupo. São máfias estabelecidas no poder público.

Paulo Bittencourt

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