Como se manter magro, com um peso muito menor do que já tivemos, exige um entendimento da cultura e da neurologia do apetite. A foto do título é de 1991, quando eu tinha 37 anos, e pesava na faixa de 85kg. A primeira questão é que cada um de nós precisa decidir o que, de que maneira, e quando come. O resultado é que filhos, parentes e mulheres reclamam da nossa dieta e da casa vazia na despensa e geladeira. Acredito que para muitas pessoas o caminho seja de jejum quase diário. No meu caso é desde o jantar de vinho, salada e pouca proteína com fibras, no início da noite, até um almoço de salada com maçã. Zero de doces, salgados, ensacados, pães, festas, “orgias” alimentares. Jejum de 15-16h todos os dias.

O termostato do peso cerebral leva a recuperar peso, engordar até onde estivemos mais tempo, bem como um termostato de ar condicionado. O difícil, que gasta muito combustível, é acertar a temperatura, depois manter é mais fácil. Portanto, para me manter magro, cada vez que perco um pouco passo algumas semanas cuidando mais para não recuperar e fazer o tal efeito sanfona.

Observar um aparelho de ar condicionado é muito pedagógico. A máquina fica funcionando a todo vapor até esfriar o ambiente de 32 para 22 graus centígrados; para manter o motor funciona pouco, de maneira intermitente. O detalhe é que para manter a sala fria, precisa soprar para dentro só ar frio. Desligar o aparelho é como fazer uma orgia alimentar. Estraga tudo, joga fora todo o esforço de emagrecer, e toda a energia utilizada para esfriar um ambiente. É uma total idiotice.

No caso do ar condicionado, o correto é ajustar a temperatura. No peso, nunca se deve enfiar o pé na jaca, fazer orgias calóricas. Nem para comemorar seja lá o que for. Comemore com caviar Beluga, carésimo, só dá para comer um pouquinho. Se aumentarmos um pouco o termostato, comendo um pouco mais, o peso vai aumentar um pouco, como a temperatura. Para voltar depois precisa pouca energia ou pouco jejum. No caso de dieta, significa continuar comendo menos do que anteriormente, quando o peso era mais alto, como o ar frio intermitente quando é a temperatura do verão que o ar condicionado precisa esfriar.

Sem churrascos, peixadas, camarões, pizzas, macarronadas, Santa Felicidade. Exagero no meu caso só com minhas comidas especiais em casa, ou no japonês. Entre 5-6 horas de atividade física na água ou na rua por semana. Já estive em 108kg, e passei os últimos 30 anos acima de 89kg. Levado à risca, vou diminuir lentamente dos atuais 90kg para em torno dos 85 kg em 6 meses. Peso que não tenho desde que montei minha família, e nasceu meu filho Paulo, em 1989. Parei de fumar, aumentei de 81 para 89 kg e embarriguei. Ali pelos 53 anos estava em torno de 95 kg, como a foto de 2007 abaixo.

É uma tristeza, mas indispensável entender que para manter um peso de 105kg com 1m75 de altura eu posso ingerir em torno de 4 mil Kcal ao dia. Para manter 95kg foi em torno de 3 mil Kcal ao dia. Contando com atividade física na faixa que queima 400 Kcal ao dia, uma hora de exercício aeróbico moderado ao dia. Ao que tudo indica, a não ser que eu vire um maratonista, para voltar ao peso de jovem, abaixo de 85kg, como na foto de 1986, vou precisar ingerir não mais que 2 mil Kcal ao dia. E nesta conta precisa incluir tudo. Mas tudo mesmo.

Dr Paulo Bittencourt

 

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