Para tentar calcular o tempo de sobrevivência na doença de Parkinson o médico precisa tirar uma cuidadosa história clínica, por vezes com mais pessoas da família e até fotografias, para estabelecer o momento do do início dos sintomas e sinais. Em 1967, antes do advento da levodopa, a resposta era uma média de 9,4 anos de sobrevivência na doença de Parkinson, contando do início da doença até a morte. As coisas eram mais simples. Não existiam na época os problemas de movimentos involuntários e as oscilações de estado associados com o uso da levodopa. Mas também não existiam os parkinsonismos atípicos e o parkinsonismo vascular, que tanto confundem a situação hoje em dia.

Com o advento da levodopa e outros medicamentos dopaminérgicos, no meio da década de 1990 o tempo havia aumentado para em torno de 15 anos. Aos 60 anos de idade, este tempo se compara com a expectativa de 23 anos para a pessoa usual. Claro, a qualidade de vida também não é a mesma durante a sobrevivência na doença de Parkinson.

Golbe e Leyton. Neurology 2018, 91:991-992

Embora estas previsões estejam hoje em dia disponíveis para a população em geral, uma previsão específica para um caso é mais difícil, mesmo para o especialista. Já foram avaliados múltiplos marcadores de prognóstico, que podem ajudar a calcular o tempo de sobrevivência na doença de Parkinson. Entre eles os mais mencionados são o chamado envolvimento axial, do tronco da pessoa, especialmente da musculatura paravertebral, que fica mais rígida; uma aplicação do miniteste do estado mental, demonstrando envolvimento cognitivo; história de fumar cigarros; presença de outros problemas clínicos, as chamadas co-morbidades; leucocitose no liquor; maior comprometimento no PET scan específico para o sistema dopaminérgico.

Backström et al. Neurology 2018, 91:e2045-2046

Estudos recentes indicam que se a doença é leve do ponto de vista motor e cognitivo, o paciente pode esperar um prognóstico de sobrevivência como o previsto para a população em geral. Certamente menos complicações ortopédicas, de câncer, hipertensão, diabetes e cigarros ajudam muito. O achado recente que pode existir evidência de inflamação no sistema nervoso central indica a possibilidade de tratamento anti-inflamatório, que pode modificar o tempo de sobrevivência na doença de Parkinson.

Dr Paulo Bittencourt

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