Créditos de imagem: Greg Dunn, Philadelphia.

Resultados de cirurgia de epilepsia tem ficado estáveis desde a popularização das lobectomias temporais nos anos 1990. Sempre se repetiu a estatística de que em torno de 2/3 dos pacientes que passam por esta forma de cirurgia de epilepsia tinham sucesso; 30% continuavam tendo crises, embora muitos com uma redução da intensidade. Agora aparece um grande estudo com resultados de longo prazo de cirurgia de epilepsia do serviço do Dr Denis Spencer, na Yale University: uma análise retrospectiva de 133 casos operados entre 2000 e 2015. O resultado indica que a principal associação do retorno das crises após a cirurgia rotineira de lobectomia temporal medial foi com pacientes demonstrarem áreas próximas às da região de início das crises, para as quais se espalha rapidamente a descarga epileptiforme. Atividade beta rápida nos 10s após o início da crise no local de origem indica estas áreas.

Os autores dizem que uma eletrocorticografia durante o procedimento da cirurgia de epilepsia pode detalhar melhor estas áreas para ressecção, melhorando o resultado da cirurgia. Em outras palavras, a cirurgia de epilepsia, mesmo de lobo temporal, pode ter resultados melhores que o estabelecido até agora, aumentando a área retirada na cirurgia de epilepsia.

A vantagem da cirurgia de epilepsia é que a mortalidade é muito pequena nos EUA hoje em dia, em torno de 0,1%. No Brasil este número não é conhecido. Nenhuma grande série brasileira foi realmente publicada até hoje. Nas séries parcialmente publicadas, os resultados no Brasil foram bem piores. Na minha série pessoal de aproximadamente 110 casos, não ocorreu mortalidade. O problema que persiste nos EUA é que a idade média de cirurgia está em torno dos 30 anos de idade, enquanto já ali pelos 15 anos de idade pode-se prever que a cirurgia será necessária. Aos 30, muitos pacientes já tiveram prejuízo psico-social do qual talvez não se recuperem mais.

Susan Kreimer. Neurology Today 24.01.2019

Andrews et al. JAMA Neurology 2018 epub 2018 dec 3

Dr Paulo Bittencourt

Compartilhe este artigo: