Créditos de imagem: Greg Dunn.

O resumo é que os principais marcadores de morte súbita em epilepsia são apneia, hipoxemia e assístole, ou seja, parada respiratória, diminuição de oxigênio no sangue e parada cardíaca. Este é um assunto ainda evitado pela comunidade em torno desta doença aqui no Brasil, embora já bem estabelecido internacionalmente. É um fato da natureza, como o sol nascer redondo.

Morte súbita em epilepsia que ocorre de maneira inesperada, conhecida pela abreviação SUDEP em inglês, é responsável por entre 10-20% das mortes de pessoas com epilepsia. Ou seja, 1 de cada 5 epilépticos morre de morte súbita. Neste número não estão contabilizadas as mortes que fazem parte do quadro clínico, como as relacionadas com estado de mal epiléptico, ou quando uma crise leva a uma broncopneumonia por aspiração ou a acidente de trânsito.

http://www.dimpna.com/2017/09/05/epilepsia-e-morte-subita-inesperada/

Comparado com pessoas não epilépticas da mesma idade em grandes estudos epidemiológicos, o risco de morte súbita em epilepsia varia conforme a idade dos epilépticos. Existem dois picos de frequência, um nos jovens e outro nos idosos. Em jovens o risco é 24 vezes maior. Nas pessoas com epilepsias intratáveis, é a maior causa de morte. Nas crianças, as epilépticas contam como 35% de todas as mortes súbitas.  O risco para qualquer criança epiléptica é de 7% nos próximos 40 anos.

As causas de morte súbita inesperada em epilepsia são multifatoriais, dependem da idade, e incluem mecanismos cardíacos, respiratórios e neurológicos. Em pessoas de mais idade, arritmias cardíacas já foram implicadas. Os fatores de risco em qualquer idade são crises mais intensas e graves, crises resistentes ao tratamento, crises generalizadas tônico-clônicas, as convulsões, especialmente quando frequentes. Outros são falta de adesão ao tratamento, tratamento com vários remédios e mudanças frequentes de medicação. Idade jovem do início e estar dormindo durante a crise também.

https://en.wikipedia.org/wiki/Sudden_unexpected_death_in_epilepsy

Laura Vilella e colaboradores publicaram na Neurology 2019; 92:e171-e182 o resultado de um estudo em 87 adultos epilépticos avaliados com vídeo-eletroencefalograma, eletrocardiograma e pletismografia, que é um sensor de fluxo aéreo nasal. Estes autores concluíram que apnéia é um mecanismo crítico. Estas paradas respiratórias de origem cerebral, a chamada apneia central pós-convulsiva, ocorreu em crises epilépticas de origem focal e generalizada. Apneia central ictal, que ocorre durante a crise, ocorreu em epilepsias de origem focal. Os mesmos autores também observaram que uma parada cardíaca, chamada de assístole, ocorreu somente com a apnéia pós-convulsiva, em dois casos.

Outro grupo de pesquisadores, Rheims e colegas, também publicaram seus resultados na Neurology 2019; 92:e183-e193, e concluíram que a concentração de oxigênio no sangue, a chamada hipoxemia, é outro fator crítico na produção de morte súbita em epilepsia. Hipoxemia menor que 90% por mais de 5s é grave, ocorre com maior frequência em epilepsia do lobo temporal do que extratemporal, especialmente nos pacientes que tem supressão do EEG após crises, e pode ser evitada por uso de um cateter de 02 nasal.

Dr Paulo Bittencourt

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