A história tortuosa do desenvolvimento do Chanel No. 5 passa pelo então amante de Coco Chanel, o Grão-Duque russo Dmitri Pavlovich Romanov. Justamente o assassino de Rasputin. Coco queria desenvolver uma nova e moderna fragrância no início dos anos 1920. Foi Dmitri que a apresentou a Ernest Beaux na Riviera francesa. Beaux trabalhava na A. Rallet and Company faziam mais de 20 anos, e a família real russa estava entre seus clientes. O Palácio Real de São Petersburgo era famoso por ser perfumado.  A Czarina Alexandra tinha seu perfume pessoal, uma água de colonia forte em rosa e jasmim, a Rallet O-DE-KOLON No.1 Vesovoi.

https://en.wikipedia.org/wiki/Chanel_No._5

Em 1912, Ernest Beaux criou Le Bouquet de Napoleon para comemorar os 100 anos da Batalha de Borodino. Seu sucesso o inspirou a criar uma versão feminina, que começou com os aldeídos de flores do popular Quelques Fleurs, de 1912, de Houbigant. O resultado dos experimentos de Beaux foi Le Bouquet de Catherine, que ele pretendia usar em 1913 para os 300 anos da dinastia Romanoff. Porém, com a 1ª Grande Guerra, tanto a Czarina quanto a Imperadora Catarina viraram um problema, pois eram alemãs. Muito caro, Le Bouquet de Catherine foi um fracasso comercial. Com o novo nome de Rallet No. 1 também morreu com o início da Guerra em 1914.

Beaux juntou-se aos Aliados e ao exército Russo Branco, e ficou em uma base no Ártico, Arkangelsk, na prisão da Ilha de Mudyug, onde interrogava bolcheviques. Ali se inspirou para capturar a fragrância local: polar, seca e frígida.

Beaux aperfeiçoou o que seria o Chanel No. 5 no fim do verão e outono de 1920. Partindo da base de rosa e jasmim do Rallet No. 1, que se tornou mais limpo e mais corajoso, ele a alterou com substâncias sintéticas novas, e criou “Rose E.B” com uma nova fonte de jasmim, Jasophore. A nova fórmula tinha mais raíz de orris e íris, e mais almíscar. Mas o crítico da fórmula de Beaux foram os aldeídos, compostos orgânicos de carbono, oxigênio e hidrogênio. Seus odores são isolados pela manipulação em laboratório em estágios específicos da reação química. Usados de maneira criativa, os aldeídos são como pimenta ou curry, como especiarias que potenciam o aroma. Beaux preparou 10 vidros para a avaliação de Coco Chanel, numerados de 1-5 e 20-24. Coco escolheu o número 5, “um perfume de mulher, com cheiro de mulher.”

Conforme diz a própria Coco Chanel, a fórmula do No. 5 mudou pouco desde então.

Dr Paulo Bittencourt

Photograph

Austin Calhoon – http://austincalhoon.com

Chanel No. 5

 

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