A UNIMED tradicionalmente tem uma postura de negar procedimentos meus. Mesmo que o preço seja a vida ou a mobilidade de pessoas, todos membros da raça humana. Quando o presidente do Conselho Regional de Medicina, Dr Alexandre Gustavo Bley, se tornou presidente da UNIMED Curitiba, a situação piorou. Nem se eu fosse veterinário seria aceitável o que está sendo feito. Meus pacientes e eu somos coagidos, constrangidos e ameaçados, nos enquadram e amedrontam, falsificam laudos e consultas. Lá antigamente, não adiantou eu ser cooperado da UNIMED. A perseguição já forçou meu afastamento nos anos 1990.

Vamos aos casos: uma mulher de 41 anos de idade deixou vários anos de tratamento conosco, em grau 2 na escala de incapacidade usada para esclerose múltipla mostrada na figura. Ficou sob a responsabilidade do Dr Henry Sato do INC, Instituto de Neurologia e Cardiologia de Curitiba. A jovem senhora deteriorou para o grau 9 da escala; 10 é morte. Está tetraplégica, não utiliza os braços; é admitida a uma UTI quase mensalmente devido a convulsões epilépticas incontroláveis. Não reconhece as pessoas e não controla suas funções vitais. O Dr Henry indicou Copaxone, medicamento que não teria efeito no caso. Em 5 anos ela deixou de cantar, tocar seu instrumento musical, de andar, de ser uma agradável jovem senhora, para estar nesta situação de risco de vida iminente com sofrimento indescritível, com cérebro e medula espinhal destruídos. A desculpa é que a UNIMED não pode pagar R$ 10 mil ao ano pelo tratamento que ela vinha fazendo na Dimpna.

Outra senhora de 60 anos, depois de inúmeras tentativas judiciais, quando a UNIMED não tinha mais o que fazer, autorizou seu tratamento na clínica de quimioterapia dentro do Hospital NS das Graças. Ela passou por 8 médicos. Um especialista em rins para a prescrição e outro em pulmões para a autorização do internamento. Em menos de 2 anos longe dos nossos cuidados ela foi de 2 na escala de Kurtzke para 6. Passou de andar sem restrição para só andar com bengalas.

Uma terceira paciente com esclerose múltipla teve seu caso recusado por 2 juízes que se julgaram impedidos em atuar contra a UNIMED. Quando a UNIMED finalmente recebeu uma ordem judicial para respeitar o meu tratamento, a moça, mãe jovem, foi encaminhada para o Hospital São Lucas. Negou-se a seguir ordem da UNIMED, e está tendo que cobrir não só os custos da Dimpna como os do plano de saúde. Duas outras pacientes estão se tratando sem supervisão adequada, e nem podemos saber quantas outras pessoas estão na mesma situação, com deterioração neurológica progressiva e irrecuperável.

Uma sexta senhora, muito idosa e muito comprometida, veio a falecer de causas inconclusivas no Hospital Santa Cruz, menos de 3 meses depois ser afastada de nossa clínica. A responsável foi a médica da JUDICIMED, intimamente ligada à UNIMED. Apesar de nonagenária, ela tinha se mantido bem sob os meus cuidados durante 35 anos. Isto mesmo, trinta e cinco anos. E não tinha nenhuma razão para falecer. O geriatra que me sucedeu no caso, também particular, suspendeu os meus tratamentos, até por que não sabe aplicar Botox nem fazer pulsoterapia.

Outras pacientes de atendimento muito especializado, foram assim afastadas de minha prática. Não consigo enxergar outro objetivo que não o meu prejuízo financeiro, a qualquer preço. Existe uma história semelhante com a CLINIPAM. Vários com o GEAP. Um homem e uma mulher com esclerose múltipla a CLINIPAM e o GEAP obrigam a se tratar pelo SUS no HC da UFPR, o que é proibido por lei.

A outra possibilidade é pior ainda. Será que estes convênios querem economizar dinheiro, uma versão sofisticada de eutanásia, ou fazem isso só com meus pacientes? A UNIMED Curitiba boicota e monta armadilhas para minha clínica, sem preocupação ética, legal, de direitos humanos ou com o bem-estar de seus pacientes. Há 25 anos, quando a questão era cirurgia de epilepsia, já ocorreu o problema que levou ao meu afastamento. Nestes últimos anos, tornou-se uma questão de direitos humanos. O que falta para sermos considerados uma Berlim em 1938? Um tribunal de Nüremberg? Para julgar, entre outros, judeus?

Dr Paulo Bittencourt

Compartilhe este artigo: