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Pessoas procuram atendimento por zumbido no ouvido quase tão frequentemente quanto por tonturas. Pacientes e profissionais da saúde costumam culpar as “labirintites”, uma doença que não existe nos livros de Medicina, pelo menos com esta sintomatologia.

O ouvido é dividido em externo – da orelha até o tímpano; médio – a cavidade após o tímpano onde estão os ossinhos como martelo e bigorna; e interno, no osso temporal, onde estão o labirinto, os canais semicirculares e o nervo auditivo.

A história e o exame clínico de quem tem zumbido no ouvido definem se o zumbido é simétrico – semelhante nos dois lados, e se vem acompanhado de perda auditiva. O médico precisa definir se os ouvidos são estruturalmente saudáveis, através da otoscopia, olhando dentro do ouvido externo até o tímpano. Óbvio que se houver cerume ou infecção, precisam ser removidos. Em seguida um diapasão pode definir se a audição está normal e simétrica, o que pode ser confirmado com mais detalhe por uma simples audiometria.

Em regra geral, se o zumbido no ouvido é simétrico, o exame clínico e a audiometria mostram ouvidos saudáveis e audição normal, o zumbido pode não vir dos ouvidos mesmo. Ou seja, pode estar sendo fabricado nos ouvidos por uma tensão muscular. O tímpano é uma membrana muscular, e pode ficar esticada demais como a membrana dos tambores, e produzir uma ressonância, exatamente como ocorre nos tambores.

Esta é a explicação para zumbido no ouvido quando se sobe ou desce altitude, seja na serra ou em aviões. A pressão externa fica diferente por um tempo, e a caixa do ouvido médio ressoa como um tambor apertado. A musculatura do crânio e do pescoço é ligada à musculatura do ouvido, e problemas de tensão muscular cervical e da musculatura da coluna vertebral, podem levar a zumbido.

Se o zumbido e a audição são assimétricos, ou se existe perda auditiva, as causas comuns são medicamentos como a gentamicina, e trauma acústico decorrente de tiros, foguetes e música elevada. Nestes casos a investigação com audiometrias mais complexas e exames de sangue e imagem, como ressonância ou tomografia podem elucidar casos de zumbido no ouvido. Porém a causa mais comum é uma somatória destas que se acumula na idade mais avançada, como ocorre com a marcha e a memória. Mas a regra é que quando existe doença estrutural, o zumbido e a audição costumam ser assimétricos, diferentes de um lado para o outro.

Dr Paulo Bittencourt

 

Image courtesy of Dr. Paulo Bittencourt | Dimpna
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