A diferença entre a verdade da honestidade e o resultado das mentiras pode ser observada em relação com o problema das barragens brasileiras, o submarino e o teco-teco que mataram argentinos, e a tecnologia de busca e monitorização espacial.

A fuselagem do avião com o corpo do jogador argentino Emiliano Sala foi localizada em um domingo recente, poucas horas após o início da última fase da busca, 13 dias após a queda. As coordenadas de vôo, obtidas em conjunto pelos governos inglês e francês, permitiram afunilar a busca para um pequeno espaço no mar do Canal da Mancha.  A parte final foi realizada por uma empresa privada, paga por um grupo de jogadores, incluindo Maradona, Messi e Mbappé. David Mearns, o especialista que liderou o grupo privado, disse que haviam localizado os destroços com sonares, a 63 metros de profundidade. No corpo principal, incluindo cabine e motor, o Piper Malibu tem 9 m de comprimento por 3,4 m de altura (30,6 m2 de área visível a um radar). As asas se desprenderam no impacto com a superfície do mar.

Em contraste, o submarino militar argentino com 44 pessoas a bordo demorou um ano para ser localizado, apesar de empresas privadas e governos internacionais terem oferecido ajuda aos militares argentinos. O ARA San Juan tem 67,3 m de comprimento por 7,3 m de altura (493 m2 de área). Foi achado a 800 m de profundidade. Ou seja, um objeto 15 vezes maior a uma profundidade 12 vezes maior. E sua explosão havia sido detectada, dando a localização dos destroços, que não foi seguida.

Ainda em fevereiro de 2019 a Vulcan Inc, empresa do falecido dono da Microsoft, Paul Allen, achou o porta-aviões Hornet, perdido em 1942 a 5km de profundidade nas Ilhas Salomão, Oceano Pacífico. Tinha 230 m de comprimento por 25 m de altura e 5750 m2 de área vista em radar. Portanto, dez vezes maior que o submarino, a uma profundidade 6 vezes maior. A Vulcan fez o mesmo que os especialistas que acharam o Piper de Sala. Usaram coordenadas obtidas em diários de bordo de navios que viram o Hornet nos seus últimos dias, construíram um mapa de probablidade, usaram o sonar e o localizaram no primeiro mergulho do robot.

O Piper, pequeninho, estava em um local cheio de destroços de acidentes ocorridos desde o tempo dos vikings. A única explicação  é que os militares argentinos não queriam achar o submarino. Não queriam a verdade da honestidade. Talvez não quisessem enfrentar a realidade de por que morreram 44 homens, como serão indenizados, quem é o culpado.

O paralelo com a situação das barragens brasileiras é óbvio. A Vale e a CSN até sabem do perigo, mas confiam na impunidade para não pagar a conta de prevenir acidentes como Mariana e Brumadinho. É óbvio que estas decisões são financeiras, tomadas pelo mais alto nível das empresas. A verdade da honestidade não é o seu interesse. Fabricam sua própria realidade, em conjunto com deputados, ministério público, enquanto vão pagando dividendos aos acionistas. A população da América Latina não tem direitos humanos. São tratados como africanos, ou até pior. Uma sub-raça.

https://edition.cnn.com/2019/02/12/us/world-war-ii-aircraft-carrier-found-south-pacific-trnd/index.html

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/02/vale-recusou-monitoramento-em-tempo-real-de-barragem.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb&fbclid=IwAR1qoKMH6uh-RK4zHbYd-Gb7MiIdotWd1THr9Dj6HhB7y78ftol1sLheYHE

Dr Paulo Bittencourt

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