A relação entre enxaqueca e forame oval patente é histórica, resultado de observação clínica. Porém, é limitado o entendimento da fisiopatologia de como o forame oval patente poderia ser relacionado com enxaqueca. Estudos que tentaram comprovar que fechando o forame oval melhoraria a enxaqueca trombaram com o fato de que 25% da população tem o forame aberto. Este número sobe para 66% dos enxaquecosos e 88% dos enxaquecosos com aura. Mas não se sabe em quem destes existe uma relação de causa e efeito com a enxaqueca, em oposição a somente existir uma coincidência incidental.

Mais de 20 estudos observacionais de fechamento do forame oval em enxaqueca não tiveram sucesso. Ocorreu um efeito placebo de até 40%. Em 3 estudos controlados e randomizados, não houve efeito terapêutico demonstrado.

Porém, clopidogrel e outros medicamentos do grupo das tienopiridinas foram utilizados em portadores de enxaqueca e forame patente, com a ideia de que o distúrbio plaquetário da turbulência da passagem do sangue pelo forame poderia ser relacionado etiologicamente com a fisiopatologia da enxaqueca.

Sommer, Nazif, Privitera, Robbins. Neurology 2018, 91:1002-1009

Reisman, Robbins, Chou, Schnayderman, Gross, Privitera, Nazif, Sommer. Neurology 2018, 91: 1010-1017

Para estes neurologistas, os 50% dos casos que assim melhoram da enxaqueca são então levados para o fechamento do forame oval pelas técnicas usuais. Outros medicamentos utilizados são o prasugrel e o ticagrelor. O sucesso nestes casos é próximo de 100%. O que falta antes de neurologistas em geral adotarem esta conduta para enxaqueca e forame oval patente é os resultados serem replicados em mais alguns centros neurológicos.Quando algo dá certo em um só lugar, pode ser devido a uma causa que não seja o tratamento em si, como a expertise que aquela equipe tem no assunto.

Dr Paulo Bittencourt

 

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