A relação entre exercício físico e AVC, assim como com outras formas de doença neurovascular, é muito bem estabelecida em estudos epidemiológicos. Demência, microangiopatia, isquemia cerebral, são nomes associados com doença dos pequenos, médios e maiores vasos arteriais cerebrais. Exercício físico e AVCs podem ser tão relacionados por que a atividade física melhora a angiogênese, neurogênese e sinaptogênese, assim acumulando uma reserva cognitiva e motora superior. A consequente resiliência cerebral é maior.

Outros estudos epidemiológicos muito fortes indicam uma relação inversa entre volume cerebral e a carga cumulativa de fatores de risco. Ou seja, quanto menos tempo exposto aos fatores de risco – hipertensão, diabetes, dislipidemias, obesidade, inatividade – menor o grau de atrofia cerebral na idade mais avançada. Estes estudos indicam que os fatores de risco são especialmente maléficos entre os 40-60 anos de idade. O preço é o início de demência vascular em uma idade mais jovem. Demência costuma ser associada com doença de pequenos vasos, isquemia crônica, microangiopatia. Quando a situação dos fatores de risco é muito grave, ocorrem AVCs, resultado de doença dos vasos arteriais cerebrais de médio e grande calibre.

Tratamento agressivo dos fatores de risco, como mantendo a pressão sistólica abaixo de 120 mm Hg, reduz o risco de início de disfunção cognitiva mínima, um estágio de pré-Alzheimer, em 15%. Exercício físico e AVC são relacionados com demências pela influência nos fatores de risco.

Estudos com ressonância magnética mostram que pequenos infartos lacunares, lesões pequenas de substância branca, espaços perivasculares, volumes de hipocampo e de substância cinzenta, assim como tamanho de ventrículos formam o que é chamado de carga de doença microvascular, ou microangiopatia. Assim como neurodegeneração, são associados com declínio cognitivo e demência. A presença do gene APOE e4 aumenta o risco nesta população.

Atividade física melhora hipertensão, diabetes, obesidade, dislipidemias e fatores psicossociais, todos muito importantes na prevenção de doença neurovascular. Quem faz exercício tem AVCs menores e se recupera melhor, e tem menor risco de demência de tipo Alzheimer também.

Spartano e Bernhardt. Neurology 2018; 91;727-728

Reinholdsson, Palstam, Sunnerhagen. Neurology 2018; 91:e461-e467

Wang et al. Neurology 2018; 91:e1487-e1497

Dr Paulo Bittencourt

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