Créditos de imagem: Dr Paulo Bittencourt.

Foi em 2014, início do 2º governo de Beto Richa. Aos poucos Adriana Regina Azinari, enfermeira da Dimpna, foi aparelhando a clínica com materiais de recuperação, e ela mesma fez cursos de ressuscitação. Dois homens tiveram irregularidades cardíacas e muitos pacientes nossos realmente eram relativamente graves. Embora o rumor curitibano de que eu drogava mulheres viesse desde o início do século XXI, foi só então que uma operação especial, como as da Polícia Federal, pôde ser montada. Apareceram 2 mulheres para retirar líquido da espinha, através de punção na coluna lombar. Queriam ser sedadas. Outras 2 queriam ser sedadas para fazer eletroencefalograma. Pacientes que eu já atendia sem sedar, por exemplo para aplicar Botox, misteriosamente começaram a solicitar sedação injetável. Todos haviam tido contato com Adriana.

Em outro caso, também em 2014, a psicóloga Vania Regina Mercer, pessoa de minha extrema confiança há décadas, criou uma situação. Uma mulher jovem, bonita, tetraplégica, com dor medular tão grave que já havia motivado cirurgia abdominal desnecessária, foi a isca. Porém, a clínica já tinha circuito interno de TV, registramos os fatos no prontuário e através da participação de um advogado. Ela não realizou nenhum procedimento na clínica.

Punções lombares eu faço há mais de 40 anos. Não uso anestesia nem local para a pele pois costumo acertar na primeira punção. Pouca gente sabe, nunca vem gente de fora, sou eu que peço nos meus próprios pacientes. Botox é feito com anestesia de pele por uma pomada. EEG com sedação em crianças maiores e adultos nunca fizemos. Em menores usamos hidrato de cloral algum tempo, que nunca foi administrado a nenhum jovem ou adulto. O exame se torna inútil, só serve para ver o efeito do remédio.

Adriana e seus mentores nem tentaram forjar uso de benzodiazepínicos, como o Rohypnol do golpe da Bela Adormecida, ou o Dormonid das endoscopias. Não faria sentido dentro dos procedimentos em nossa clínica. O remédio de Michael Jackson, propofol, nunca foi utilizado. Adriana tentou instalar o uso de derivados de morfina, como o Dimorf. Eu pedia para ela adquirir Dolantina para uso subcutâneo, como fiz a vida toda, ela comprava Dimorf para uso intramuscular, que eu nem conheço.

Mas nenhuma destas armadilhas deu certo. Creio que nenhum médico cairia, pois todos nós temos uma tendência de continuar fazendo o que sempre fizemos.

Dr Paulo Bittencourt

 

Image courtesy of Dr. Paulo Bittencourt | Dimpna
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