Créditos de imagem: wikimedia.

Sou contra o mecanismo especial do programa Mais Médicos para os cubanos por motivos muito pessoais e particulares, além do óbvio, que está na imprensa toda. Tenho uma filha se formando e o mercado de trabalho subitamente mudou. O mecanismo que está sendo colocado em operação pelo Ministério da Saúde é ótimo.

Em primeiro lugar a nova versão do Mais Médicos satisfaz uma antiga demanda dos médicos brasileiros, pelo menos um esboço de plano de carreira estatal, visando o desenvolvimento do país. Com um salário de 11 mil reais, uns 2 mil de ajuda de custo para transporte e moradia em regiões inóspitas, e uns 4 mil de abatimento no FIES, com certeza se torna uma opção valiosa de trabalho. Muitos recém-formados poderão até ficar neste emprego a longo prazo, pois é um salário invejável.

Em segundo lugar, resolve o problema do país, embora de maneira atrasada e confusa, como o síncroton da UNICAMP. Médicos vão passar a ter pelo menos uma parte dos benefícios que tem as outras carreiras consideradas essenciais: entre tantos, estão delegados e policiais de todos os corpos, juízes, promotores, defensores públicos. Pode ser uma opinião inocente, pois não sou especialista neste assunto, mas como podem tantas cidades do interior ter todo o sistema legal, judicial e de segurança montado, e o de saúde não?

A dificuldade é que muitos cubanos do Mais Médicos enxergam vir para o Brasil como uma melhora incrível em sua qualidade de vida. Já os filhos e filhas de classe média alta que se formam no Brasil certamente acham péssimo ir morar nos confins do Judas, e não ficarão lá para sempre. Esta é a dificuldade que Bolsonaro deveria resolver. Existem precedentes, o problema não é original do Brasil, e muito menos isolado. Engenheiros, por exemplo, não vão de jeito nenhum morar nas chatíssimas cidades do interior alemão. Preferem ficar desempregados ou mal-empregados nas animadíssimas cidades espanholas.

Dr Paulo Bittencourt

Image courtesy of Dr. Paulo Bittencourt | Dimpna
Compartilhe este artigo: