A actigrafia não é um método estabelecido de diagnóstico nas doenças do sono, atualmente no Brasil ou em outros países. Somente um destes pequenos dispositivos de pulso, que mais parecem um relógio, está cadastrado na ANVISA neste fim de 2018. A actigrafia, o exame em si, não é reconhecido no rol dos convênios. Médicos terão certa dificuldade de acomodar os custos do procedimento, inclusive por que deve haver um lobby contra por parte da polissonografia. Um actígrafo é um acelerômetro, um sensor de movimentos, e pode ter um sensor de luminosidade, além de outros mecanismos, como uma conexão UBS para permitir transferir os resultados para um celular, laptop ou impressora.

Depois de quase duas décadas de progresso que viu líderes da indústria do sono como a Philips Respironics aderir ao enorme desafio criado pelos pequenos relógios, a American Academy of Sleep Medicine publicou uma nova guideline que reconhece que a actigrafia pode ser útil na avaliação de muitos adultos e crianças que necessitariam realizar uma polissonografia. Estes aparelhos medem a frequência de movimentos corporais  e a luminosidade durante dias ou semanas. Assim, coletam mais e muito melhores informações que um diário de sono, especialmente em crianças pequenas.

A recomendação é que sejam gravadas pelo menos 72h em um período contínuo de 14 dias. É muito útil em insônia e hipersônia. Pode ajudar em casos de roncos e apnéas junto com detectores domésticos de apnéa. Não ajuda em pernas inquietas. A grande vantagem é a avaliação do período diurno, que pessoas nunca passam nos laboratórios de sono.

Em resumo a actigrafia serve para:

  1. Estimar as medidas de sono em crianças e adultos com insônia.
  2. Avaliar crianças e adultos com distúrbios do ciclo circadiano, as pessoas que tem sono fora de hora, também chamados de distúrbios de fase horária de sono.
  3. Avaliar adultos com distúrbios respiratórios do sono, em conjunto com detectores domésticos de apnéa.
  4. Avaliar tempo total de sono antes de um teste de latência múltipla em pessoas com hipersônia.
  5. Avaliar tempo total de sono em pessoas com síndrome do sono insuficiente.

Dr Paulo Bittencourt

Smith, McCrae, Cheung et al. American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med 2018, 14: 1231-1237

Image courtesy of Dr. Paulo Bittencourt | Dimpna
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