Para se considerar a dieta do jejum com naturalidade é necessário se despir de certos preconceitos que nós herdamos dos americanos, em oposição à cultura mais antiga europeia e oriental. Este domínio norte-americano se estabeleceu no século XX, e nos trouxe a cultura do cigarro, da bebida alcoólica e da dieta baseada no gado, com carne e leite em grande quantidade. Quem já viajou sabe que em inúmeros países islâmicos, árabes, africanos e orientais, esta tríade da nicotina-álcool-gado é substituída por cannabis e dieta muito variada com legumes, peixes e pequenos animais. Nos países europeus mediterrâneos e no extremo Oriente a cannabis não é proeminente, mas a tríade é substituída em tempos modernos por nicotina-álcool-dieta variada de legumes, peixes e pequenos animais. Islâmicos não bebem álcool, e orientais bebem pouco.

A ideia predominante no Brasil nas últimas décadas, de que o correto é comer a cada poucas horas, muito influenciada por produtos do gado, é parte da cultura norte-americana, dirigida para o consumo de seus produtos, inclusive dos remédios de diabetes. Um dos únicos benefícios de comer a cada 3h é não ter hipoglicemia, que só ocorre em quem já está medicado para diabetes. Este é um paradigma do absurdo, no qual primeiro produzimos obesidade – hipertensão – dislipidemias – diabetes, e depois os tratamos.

A dieta do jejum, essencialmente, é aquela na qual as pessoas comem menos vezes por dia, e se utilizam de longos períodos com líquidos e frutas leves, como maçã, melão e kiwi. Todos vão notar que naturalmente comem menos quando iniciam o dia só com um café preto, e comem muito mais quando começam com leite, pão e queijo. Duas ou três horas depois o corpo vai querer mais, e o dia se transforma em uma orgia. Além disso, já se sabe cientificamente, comprovado por experimentos em laboratório, que jejum é diretamente associado com maior tempo de vida. É um dos únicos mecanismos comprovados de prolongar a vida.

Dr Paulo Bittencourt

Image courtesy of Sartor | Dimpna
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