Falta de equilíbrio é muito ligada ao álcool, que é um exemplo dos componentes que levam uma pessoa a perder o equilíbrio. O efeito principal é no sistema vestíbulo-cerebelar e no controle do movimento dos olhos, causando visão dupla e instável. O efeito no grau de consciência é crítico: a pessoa sonolenta perde a eficiência dos movimentos e das respostas aos movimentos, os reflexos alterados por medicamentos, como os tarja preta e analgésicos opioides, principalmente quando misturados.

A idade e doenças vasculares ou inflamatórias do sistema nervoso são os maiores causadores de falta de equilíbrio, quando se somam tempo de evolução, quantidade de lesões cranianas e medulares, e quantidade de impacto que a pessoa tem em sua vida diária. O impacto leva a lesões de discos com extrusões, hérnias, e artrose acelerada dos ossos e das articulações. A resultante compressão da medula e das raízes nervosas é múltipla e progressiva.

Na popular ataxia cerebelar as pessoas perdem equilíbrio e podem ter tremor devido ao cerebelo e suas conexões. Uma causa menos apreciada de falta de equilíbrio é a chamada ataxia sensorial, por perda de sensibilidade vibratória. A sensibilidade vibratória, testada com um diapasão, leva ao cérebro informação de sensores que ficam dentro das articulações, nos tendões musculares. É a sensibilidade profunda, em oposição à superficial da pele. Está afetada em praticamente todos acima dos 70 anos de idade, que não sabem exatamente onde e como estão suas pernas, joelhos, pés e quadris. Não se defendem automaticamente do impacto no dia a dia, por exemplo subindo e descendo escadas. O pior é que quase ninguém tem noção disso, e tendem a não acreditar quando tentamos informar.

Com a idade e a soma de doenças do cérebro, tronco cerebral e cerebelo, medula, das raízes nervosas, muitas pessoas deveriam ser orientadas a andar com apoio no escuro, em rampas e escadas, e a usar tênis, calçados firmes de base larga, e bengalas. É público e notório que acima dos 80 ou 90 anos ninguém tem marcha e equilíbrio 100% normal. Muitas pessoas deveriam tomar cuidado extremo quando tentam ficar de pé, ou mesmo andar, sem estar em plenas condições.

Dr Paulo Bittencourt

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