Onde fica o Ministério Público? No depoimento à 9ª vara Criminal dia 22.08.2018, relatado pela Gazeta do Povo e por Cícero Cattani no dia seguinte, Mauricio Fanini, amigo íntimo e ex-diretor da Secretaria de Educação de Beto Richa, conta que sua engrenagem era pequena, uma das muitas que ele tem conhecimento que giravam em torno do governador. A diferença é que a dele estava próxima do Governador. Por conta disso, acabou ameaçado até por Fernanda Richa. Quais serão as engrenagens de que ele fala? A analogia, para quem precise que desenhe, é como uma roda d’água, e a propina é a água que sobra e cai, ou uma cuia que alguém instala ali. E a pergunta que não cala é: onde esteve o Ministério Público em 10 anos de Beto Richa?

Observar o padrão histórico que se repete leva a enxergar as engrenagens de Fanini, e a imaginar como podem se repetir. Uma é a dos pedágios mais caros do mundo, envolvendo a CCR, a CR Almeida e outras. Ali entra cash, sem nota, uma mina de ouro, que deu errado quando ia entrar a Odebrecht lá no norte do Paraná. Existe uma destas engrenagens grandes nos transportes urbanos. Também são notórias as compras e vendas de terrenos que se valorizam com decretos do IAP. E os consórcios de lixo urbano. Quase nada merece a atenção do Ministério Público.

A farra dos auditores fiscais descoberta em Londrina, inclusive com prostituição infantil que revela tráfico de pessoas, deveria levar à investigação de um problema muito maior, os impostos da Renault, Volkswagen, Volvo, e outras empresas com fluxo financeiro imenso, onde uma pequena cuia, um ou outro ponto percentual, dá uma diferença digna de pedágio. A engenharia destas engrenagens financeiras é complexa, coisa típica de PSDB.

Na saúde existem indícios óbvios. Os transplantes de medula e de órgãos, controlados principalmente por Ricardo Pasquini; os tratamentos milionários que prefeituras pagam, sempre no Pequeno Príncipe e naquele hospital de Miami, onde o cirurgião é brasileiro. Estes tratamentos são pré-pagos, infelizmente muitos pacientes falecem logo no início, e nada é devolvido. Beto Richa repassou muito mais de 10 milhões de reais ao Hospital de Neuropsiquiatria do Paraná, Associação San Julian, em Piraquara, e a rodovia para lá foi privilegiada em comparação com a de Colombo, que beneficiaria uma população maior, e é passagem para toda a região pobre da Ribeira. Tudo que fica no caminho de Piraquara, inclusive a Villa Dei Fiore, foi muito beneficiado. Ali a engrenagem pode envolver retribuição pelo favor da entrevista de Affonso Antoniuk após o acidente Ribas Carli. E votos claramente não é a prioridade, as eleições são consideradas garantidas por outros mecanismos.

Existem aluguéis, como da SANEPAR instalada no Edifício Centro Empresarial Lais Peretti, coisa de 15 milhões de reais por ano (Marcus Roberto de Oliveira, 2016), e que indica uma relação muito próxima do libanês Beto com a elite judaica ligada aos shoppings Muller e Patio Batel, que sabe-se lá quanto de imposto realmente pagam. O que não é novidade, Heinz Herwig, engenheiro de DER, político e conselheiro do TC, fez a ponte entre José Richa, Jaime Lerner e Beto Richa, são 40 anos de poder contínuo.

Quem tem qualquer conhecimento de remédios sabe do potencial de desvio em compra e distribuição de medicamentos, vacinas, materiais médicos, etc. Mas a maior mina de novos negócios do estado pode estar no Tribunal de Contas, onde se fica sabendo de tudo e pode-se colocar cuias imensas na roda d’água das obras municipais e estaduais. Sem nem pressionar ou extorquir, basta saber das informações privilegiadas.

Não é nem curioso, é a rotina que nada disso seja investigado pelo Ministério Público. Os intermináveis participantes destas engrenagens, como diz Fanini, garantem a segurança de sua operação. E não querem saber das informações de Fanini, assim como não quiseram saber de Palocci. O objetivo era Lula, e não a Globo, as aéreas e tantas grandes empresas.

Dr Paulo Bittencourt

Image courtesy of Venceslau Escobar
Compartilhe este artigo: