A Operação Lava Jato pode ser uma atualização do golpe militar de 1964, para bloquear mais uma vez a emergência de um Brasil de esquerda na economia mundial. Uma hipótese é que Marçal Justen Filho, mentor e colega de Fachin, Moro e Gebran Neto na UFPR, tenha feito o elo Brasil-EUA da estratégia idealizada com Fernando Henrique Cardoso. Com a cooperação dos ministérios públicos, como demonstrado pelos escândalos das rodovias e dos ônibus do Paraná, que explode 8 anos depois, próximo da prescrição, ainda sem comprometer Beto, Ducci ou Greca. A questão de injúria racial colocada para uma mulher e um negro incomodar Ciro Gomes em São Paulo é típica.

Em 2008 o PSDB não podia perder a capacidade de promover a impunidade de “criminosos do bem” – Azeredo, Paulo Preto, Serra, Beto, Alckmin – e precisava eliminar os “criminosos do mal”: Lula, PT, PMDB, e dominar o “Centrão”. Que Aécio Neves seria jogado aos leões fui comunicado por Eduardo Cunha (!) em 2010, com a então inédita história da cocaína. A manobra tem cheiro de Ricardo Barrros, pois eu nem sabia quem era Cunha. Então Beto Richa comprometeu-se com meninas e o acidente Ribas Carli. Arlete Vilela Richa, Farid Sabbag e meio Brasil do Sul organizaram a complexa trama de sua salvação; captaram Ricardo Barros com a oferta de impunidade

Como funciona a corrupção no ministério público

e a missão de implodir o centrão e o PMDB, para garantir o grupo no poder depois de Beto Richa. O protagonismo de Ricardo Barros como grande traidor de todos, Centrão, PT e agora Beto Richa, é demonstrativa do grau de impunidade que lhe foi oferecido.

As evidências da estratégia do PSDB de usar truco, seis e nove estão na análise das táticas, projetos e grupos de serviço. Donald Trump faz o mesmo. A Operação Lava Jato é um mecanismo antigo, vem do tempo de Al Capone, como todos sabemos. No STF os advogados ligados aos Santoro, em especial Rodrigo Mudrovistch, através de quem Gilmar Mendes faz ligação direta com Heinz Herwig (sócio de Joel Malucelli) Salomão Soifer, Affonso Antoniuk e a experiência do caso Banestado. Agora com a cooperação de Luis Edson Fachin e seu poderoso grupo do MP. Claro que focam em dúvida as mortes de Eduardo Campos e Teori Zavascki, ambas no quintal do PSDB, onde agora fritam Ciro Gomes.

Exemplo da parceria de protagonistas com a Operação Lava Jato: semana do depoimento de Lula ao TRF em Curitiba em 2017 orquestrada para encobrir o julgamento do último recurso de Ribas Carli ao STF. Além da cronologia, a aparição de Renée Dotti, é prova. Conforme Aroldo Murá, Dotti sabia do caso Petrobrás pelos jornais; sabia que Gilmar Mendes não apresentaria o caso Ribas Carli pautado para o dia seguinte. Cícero Catttani diz que Greca pediu o aparato de segurança, um funil nazista que conduziu Lula ao cadafalso, mas a execução foi estadual, semelhante às forças de guerra urbana usadas contra os professores e as que surgiram no casamento de Maria Victoria Borghetti Barros.

Um ponto crítico de contato da Operação Lava Jato com a alta criminalidade curitibana é o Hospital Santa Cruz, propriedade de Hamilton Leal Jr, casado com uma Slaviero, prima-irmã de Nelson Slaviero e da mãe de Ribas Carli Filho. Os presos da Lava-Jato sempre foram atendidos no Hospital Santa Cruz. “Nego” Scarpim é vizinho e íntimo do proprietário, inclusive de viagens em grupos de homens, e conhecido do dono do Shopping em frente, Patio Batel, Salomão Soifer. Roberto Bertholdo esteve preso por escutar Sergio Moro, e Scarpim subornou um juiz do TRF-4. Muitos destes frequentam as mesmas prostitutas, agenciadas pela famosa Mirlei de Oliveira.

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O esquema parece ter ligação com lavagem de dinheiro público, de jogo e de várias formas de tráfico. O acidente Ribas Carli Filho parece ter envolvido cocaína, daí o Hemobanco surrupiar a amostra de sangue de Ribas Carli na noite do acidente, e o ataque covarde a Virginia Soares, a médica do Evangélico. Todos sabemos que pessoas deste quilate não usam traficantes de rua. Será tão grave a situação que explica a absoluta falta de apreensões de drogas e pedófilos durante o governo Richa?

A Operação Lava Jato criminalizou o nível operacional, de Alberto Youssef. Deixou de lado o andar de cima, dos mentores de Youssef, entre eles “Nego” Scarpim, e o alto nível da Odebrecht, como André Rabello. Próximos da vitória na estratégia geral, perderam a vergonha. Sergio Moro adiantou a prisão de Lula e criou um tumulto internacional para tirar da mídia a aprovação no congresso nacional da lei que permite homicidas em trânsito cumprirem pena sem encarceramento, replicando o que havia ocorrido no depoimento.

Enterrar o caso Slaviero Ribas Carli é essencial para o PSDB. Nem que para isso se elimine totalmente o Hospital Evangélico, seus prontuários, funcionários, pacientes de décadas, tudo. A Dimpna também. Enquanto isso, Cida Borghetti, Ricardo Barros e a sobreposição da justiça eleitoral com o Ministério Público salvam a campanha presidencial de Alckmin, o plano B de foro privilegiado de Richa.

Dr Paulo Bittencourt

Image courtesy of Venceslau Escobar
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