Prostituição feminina e masculina é documentada em fenícios, gregos e sumérios, há 5 mil anos. Como não se conhecem homens ou líderes, por exemplo Donald Trump, que autorizem e apreciem que suas esposas, filhas e irmãs sejam adeptas, a conclusão é que prostituição, exploração sexual e sexo sagrado são formas de escravidão e submissão de outro ser humano. O paradigma traz embutido uma filosofia machista e racista, ou de classes, portanto fascista, uma base falsa em sua essência democrática e humanista. Pelo menos no Brasil e na França são práticas adotadas pela maçonaria de forma doutrinária, até como um ritual de entrada, como em outras sociedades masculinas através dos séculos.
Já na Babilônia era classificada desde a mais baixa, praticada nas ruas, até a mais alta, sagrada, em templos. A prática está na cultura judaica, no Antigo Testamento cristão, sempre existiu e persistiu na Índia, nas culturas chinesas, japonesa, asteca, maia e inca. https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_prostitution
Existem histórias e mitos da existência de prostituição ou exploração sexual associados com templos, religião, cultos, ritos de fertilidade e casamentos sagrados, nas antigas culturas mediterrâneas e do Oriente Médio. Babilônios, hititas, gregos, inclusive nas colônias da Capadócia, Sicília e Chipre, adotaram a prática de alguma forma, tanto masculina quanto feminina. Na Índia e Nepal persiste o devadasi, exploração sexual infantil em templos. Os conquistadores espanhóis já haviam se impressionado com as práticas homossexuais e a preferência por adolescentes e crianças difundidas entre astecas, maias e incas, inclusive em rituais de sacrifício.

https://en.wikipedia.org/wiki/Sacred_prostitution

Embora o Islamismo tenha proscrito a prostituição, no mundo islâmico existe o nikah mut’ah, um casamento temporário, e o concubinato, formas de estabelecer uma jurisprudência de exploração sexual. Católicos toleravam a prostituição durante a Inquisição europeia, como um mecanismo de evitar os males maiores: incesto, sexo anal, curra e masturbação. Esta ideia foi bem estabelecida na Europa medieval, mediterrânea e nórdica. Existiam, como hoje em Amsterdam, áreas delimitadas nas cidades, e bispos cristãos eram proprietários de bordéis “cívicos”. A história de Maria Madalena no Novo Testamento justifica a noção de sempre manter a esperança da reabilitação das prostitutas. Talvez nesta época, quando o ser humano se civilizou e caminhou para movimentos como o Renascimento e a Revolução Industrial, fixou-se a ideia de que homens tem algum direito de exercer seu desejo, como se seus hormônios tivessem mais importância biológica que os femininos.
Com a Reforma Protestante e as primeiras separações entre poder religioso e estado laico no século XVI, a prática foi sendo criminalizada, ainda mais quando a ciência demonstrou o contágio de doenças sexuais e não sexuais, como a praga. Nos séculos 18 e 19 estes conceitos se complicaram com o emergente feminismo, e leis foram sendo passadas tornando a prática ilegal nos Impérios Britânico e Russo, enquanto no Império Otomano foi relegada a escravos traficados entre os países. Marx, Engels e Lenin eram contrários, associando prostituição aos males do capitalismo.
Dezenas de milhares de moças da antiga União Soviética ainda são prostitutas em Dubai, e sua clientela é principalmente de sauditas e dos Emirados Árabes Unidos, islâmicos sunnitas. Com a revolução sexual do fim do século XX emergiu um novo conceito legal em países escandinavos e nórdicos, onde permanecem ilegais o usuário e o agente, mas não quem presta o serviço. Nos EUA prostituição foi se tornando ilegal junto com a emergência do feminismo, a eliminação da escravidão e a proibição das drogas durante o século XX, e é crime em quase todos os estados.
Como a maçonaria, organizações religiosas e judiciárias de influência absoluta masculina, como as máfias, a Inquisição, a Opus Dei e o extremismo islâmico, levaram as práticas associadas à prostituição a patamares impressionantes. Em tempos modernos a associação com tráfico de pessoas, drogas e jogo é brutalmente clara. São as mulheres e os homossexuais que terão que eliminar ou enquadrar, eliminar ou legalizar a prática assumindo posições de força na sociedade e em suas instituições.

http://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/forum-exploracao-sexual-infantil-segunda-edicao/

Dr Paulo Bittencourt

Image courtesy of Dr. Paulo Bittencourt | Dimpna
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