A questão do fascismo e racismo, tão prevalentes em meu entorno – família, cidade, colégio, faculdade, profissão – apareceu aos 13 anos de idade. Passei de ter um desejo de ser coroinha na missa das 11h do domingo na Santa Terezinha, a mais extrema direita das paróquias católicas curitibanas, para ser um agnóstico científico. Acredito que ainda é minha posição, 50 anos depois, dos pontos de vista político, espiritual, profissional e pessoal. Fascismo e racismo andam juntos, não existe dúvida em nenhum círculo intelectual. Assim como o totalitarismo de esquerda.
O aspecto “científico” do paradigma “agnóstico científico” significa que algo é demonstrado na natureza por várias vias diferentes, biológicas, humanas, sociais, políticas e através das ciências exatas. Agnóstico, todos sabem, é aquele que não tem certeza se existe ou não a figura de Deus. Pensar desta maneira leva a uma certeza de estar mais correto que os sistemas que são destruídos pela primeira tentativa de replicação experimental.
Eu poderia me descrever como um democrata americano, partidário de Kennedy, Carter, Clinton e Obama. Morei muito tempo na Grã-Bretanha e Brasil e não defini minha escolha política por motivos opostos. Excesso de falsas opções no Brasil e falta de opções no Reino Unido, onde estive mais a favor de trabalhistas que de conservadores. A falsidade brasileira acompanha a falta de preferência na França, Itália e Espanha. Na Europa latina prevalece a posição de católico de nascimento e infância, visceralmente contra a tomada católica do poder laico, justamente o que me virou a cabeça aos 13 anos. Católicos enganam. Crucifixos nas salas de justiça brasileiras são inconstitucionais. Os outros também enganam, talvez até mais, mas eu ainda vivo em um entorno católico.
Ao rejeitar o catolicismo, a ditadura e o fascismo militar brasileiro, fui exposto a uma terceira via. Ao invés dos legalizados álcool e nicotina, a sublimação do pensamento político ocidental dos anos 1960, abracei a filosofia dos anos 1960 dos países anglo-saxões, que chegou aqui nos anos 1970, a vertente cognitiva alucinatória, lisérgica, maluca. Esta conversão ocorreu entre os 13 e 18 anos. Nunca mais mudou, por que estava correta. Quero dizer a política, não as drogas, embora as drogas desta vertente sejam muito menos do mal do que a cocaína, crack e anfetaminas dos agitados. A prova é David Bowie, que apresentei sozinho a Curitiba, talvez ao Brasil, em 1972. Bowie viajou por todas estas vertentes, foi fotografado em uma Mercedes de nazista, mas nunca perdeu o rumo. Heroes é um hino à queda do Muro de Berlim. Mas morreu devido a flertar com as drogas muito do mal.
Não há como “share”, compartilhar, David Bowie e Pink Floyd, e muitos outros como Bob Dylan, nosso Nobel. Nós simplesmente não somos partidários de fascismo e racismo, nem sexistas; somos democratas da natureza. Historicamente, a separação entre direita e esquerda radicalizou-se 100 anos atrás com o comunismo chinês e soviético. Foi se dissolver há 50 anos, quando o mundo espanhol seguiu os americanos em uma guinada fascista. Vieram os anos 60 e 70, e minha geração preferiu ir atrás dos Secos e Molhados, Stones, Bowie e Pink Floyd. Votei em branco muitos anos.
Desde então as coisas se complicaram. Continuo um democrata humanista, científico e límpido. Não se frauda a realidade das pessoas, da natureza ou das comunicações. Cada vez mais rapidamente todos os acertos emergem. Olhamos, ouvimos e enxergamos. Prestamos atenção e entendemos. Perdemos tempo com farsantes, loucos, prostitutos e criminosos. Como os que professam fascismo e racismo, para benefício próprio. Os historiadores dirão que foram os falsos, como os Blair e os Bush da vida, que apertaram o gatilho do extremismo islâmico. O sectarismo e a fantasia levam à morte. Acredito que líderes como Merkel e Macron podem apontar ministros e secretários de estado com representação política e social. Porém, no 2º e 3º escalões precisa prevalecer a meritocracia do critério técnico, para executar o que os eleitores precisam.
Não podem existir agendas escondidas, dos parentes, sócios ou irmãos, dos colegas de boliche, de cor, classe hindu, ou do que for. Embutir preconceito de fascismo e racismo resulta em inflação e desemprego. Exemplos abundam: a perpetuação no poder do PT; as raposas para cuidar dos galinheiros de Temer, do MDB, PP e PSDB, de Putin e Trump. Bushes deixando o complexo do petróleo, militar e bélico dominar o bancário e da saúde. Sempre precisa um Kennedy, Clinton ou Obama para colocar ordem na casa.
Dr Paulo Bittencourt

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