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O Império Otomano, ou sua noção de estado e poder, talvez fosse uma alternativa à proposta monarquia ou ao caos reinante no Brasil. O humorista José Simão uma vez disse na Band News que em São Paulo todos são libaneses, incluindo Maluf, Temer, ele mesmo e Alckmin. No Rio de Janeiro estão Jorge Paulo Lehman, que talvez seja até meu parente, além de Luciano Huck e Jacob Barata. Salomão Soifer, baseado em Curitiba, é proprietário do bondinho que sobe o Corcovado e dos ônibus que chegam às Cataratas do Iguaçu. Fabio Schvartsman é presidente da Vale e os Steinbruch são os proprietários da Companhia Siderúrgica Nacional, entre as maiores mineradoras e siderúrgicas do mundo.

Em Curitiba Beto Richa é ostensivamente ligado à colônia libanesa, mas é ocultamente muito mais ligado aos judeus que dominam a estrutura e a operação do estado desde Jaime Lerner. Dominam os sistemas de informática que fazem andar Curitiba e o estado do Paraná. David Soifer e Totonho Abagge foram sócios no restaurante mais graduado de Curitiba, no shopping mais chique do estado, Pátio Batel, propriedade de Salomão, cujo funcionamento é devido integralmente ao grupo Lerner-Richa.

O alinhamento do Likud israelense com certos países árabes, todos Sunni, mostra que esta aliança está à direita no espectro político internacional. O fenômeno tornou-se mais aparente após Donald Trump e a emergência de uma direita européia. Na Polônia e Hungria já estão no poder. Já tiveram dificuldades de ignorar o século XX, em especial o Holocausto. A direita européia é fascista, inclui os neonazistas.

Esta convivência harmoniosa entre grupos étnicos que formavam como rivais mortais no século XX, duas décadas atrás, é um fato histórico elementar. Judeus viviam bem na península ibérica até a Reconquista, entre os séculos XIV e XV. Com a fundação da Igreja Católica na Catalônia, das cinzas do Império Romano do Oeste surgiu a Europa. O hábito de chamar todos nós de Ocidental persiste até hoje. O Império Romano do Oeste precisou do cisma protestante, pogroms contra todas as minorias, não só judeus, e intermináveis guerras para virar a Europa. O processo é lento e traumático, como mostra a primeira tentativa de Carlos Magno, ainda antes do ano 1000. Já o Império Romano Oriental, do Leste, é a fonte do caos do Oriente Médio.

Ao fim da Reconquista ibérica, do outro lado do Mediterrâneo, os sultões túrquicos conquistaram Constantinopla após dois séculos de luta, em 29 de maio de 1453. Parte de inúmeros povos asiáticos que invadiram o Oriente Médio no primeiro milênio após Cristo, o povo túrquico Oghuz é originado da Ásia central, hoje fronteira de China e Casaquistão, vizinhos dos Uigures. Turquia, Turkmenistão e Azerbaijão tem esta etnia. Vieram para a Crescente Fértil do Oriente Médio como Genghis Khan. E ocuparam um Império Romano Oriental expandido, quase até a India e a Rússia. Mas deixaram de lado a península ibérica e todo o sul da bota italiana. Até então a Itália era dividida entre africanos e árabes ao sul e bárbaros no norte. Esta divisão, assim como um certo armistício nos Balcãs, parece ter sido um acordo secreto entre Filipe II da Espanha e o sultão do Império Otomano da época, Mehmed II, Selim e Suleiman. Veneza, o poder dominante ao sul dos Alpes, perdeu Tessalônica para os otomanos no século XV, marcando seu declínio. Esta foi a cidade mais importante do que restou da Grécia durante a duração do poder otomano.

O mapa mostra os domínios otomanos durante 5 séculos. A noção de “Estado” deste povo asiático, derivada dos chineses, explica por que os otomanos dominaram uma parte tão crítica e ampla do mundo até 1923. Os cristãos ortodoxos, por exemplo, preferiram ficar com os otomanos do que com os emergentes católicos da Cristandade ocidental. O Império Otomano foi derrotado pela evolução da ciência ocidental, mais bem aceita pelos seus vizinhos e eternos opositores, os Persas. Após serem derrotados com os alemães na 1ª Grande Guerra, foram tendo seu território dividido entre os aliados, dando origem aos países atuais. A Grécia não existiu por um milênio. Para lá foram deslocados os cristãos ortodoxos. Uma Turquia radicalmente diminuída geograficamente acomodou os islâmicos e laicos da elite dirigente otomana, muitos dos quais usavam o prenome Bey, que precisaram abandonar todo o território do mapa acima. Judeus começaram a voltar à Palestina, e outro povos como os árabes foram divididos por franceses e ingleses do jeito que provoca caos até hoje.

O califado terrorista do Estado Islâmico ainda é uma tentativa de restaurar o poder Otomano. O erro é na essência, o Império Otomano conseguia ser laico, independente de religião. Seus preconceitos eram outros. Tinham escravos. O brasileiro normal, como as vítimas dos acidentes da Vale, percebe o desdém que o alto coturno judaico e sírio-libanês tem pelo cidadão usual, que provavelmente considera como se fossem escravos. Entre nós a burguesia otomana tornou-se a elite, os Beys.

No Brasil, as ideias otomanas parecem predominar na paz aparente entre estes povos, que administram com mão de ferro um caos crescente, por que a essência, o paradigma, são falsos. A estrutura de poder executivo fica na mão de espanhóis e portugueses, e outros imigrantes mais recentes, que decididamente não são laicos. Temos crucifixos nos tribunais, um absurdo inconstitucional que todos deixam passar, como muitos outros. No vácuo das falsidades do paradigma do poder aparecem a corrupção e crime patrocinados por associações obscuras entre pessoas.

Antes do Império Otomano existiu o Império Romano. Nas séries Marco Polo e Spartacus da Netflix estes impérios e suas relações sociais, políticas e humanas podem ser observadas. Delas é possível extrair a ética e a moralidade que predominavam e ainda predominam em nosso meio ambiente. Por exemplo a tendência brasileira ao escravagismo, à prostituição, à violência com mulheres, crianças e incapazes, derivada destes impérios.

Dr Paulo Bittencourt

(referência: Fora da casinha, uma análise histórica da loucura através dos séculos, 2010, disponível em sebos ou pelo telefone 55.41.32228801)

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