Créditos de imagem: wikipedia.

O Império Otomano, ou sua noção de estado e poder, talvez fosse uma alternativa à proposta monarquia ou ao caos reinante no Brasil. O humorista José Simão recentemente disse na Band News que em São Paulo todos são libaneses, incluindo Maluf, Temer, ele mesmo e Alckmin. No Rio de Janeiro estão Jorge Paulo Lehman, que talvez seja até meu parente, além de Luciano Huck e Jacob Barata. Salomão Soifer, baseado em Curitiba, é proprietário do bondinho que sobe o Corcovado e dos ônibus que chegam às Cataratas do Iguaçu. Em Curitiba Beto Richa é ostensivamente ligado à colônia libanesa, mas é ocultamente muito mais ligado aos judeus que dominam a estrutura e a operação do estado desde Jaime Lerner. David Soifer e Totonho Abagge foram sócios no restaurante mais graduado de Curitiba, no shopping mais chique do estado, Pátio Batel, propriedade de Salomão, cujo funcionamento é devido integralmente ao grupo Lerner-Richa.

Esta convivência harmoniosa entre grupos étnicos rivais mortais no século XX é um fato histórico elementar. Judeus viviam bem na península ibérica até a Reconquista, entre os séculos XIV e XV. Com a fundação da Igreja Católica na Catalônia, das cinzas do Império Romano do Oeste surgiu a Europa. O hábito de chamar todos nós de Ocidental persiste até hoje. O Império Romano do Oeste precisou do cisma protestante, pogroms contra todas as minorias, não só judeus, e intermináveis guerras para virar a Europa. O processo é lento e traumático, como mostra a primeira tentativa de Carlos Magno, ainda antes do ano 1000. Já o Império Romano Oriental, do Leste, é a fonte do caos do Oriente Médio.

Ao fim da Reconquista ibérica, do outro lado do Mediterrâneo, os sultões túrquicos conquistaram Constantinopla após dois séculos de luta, em 29 de maio de 1453. Parte de inúmeros povos asiáticos que invadiram o Oriente Médio no primeiro milênio após Cristo, o povo túrquico Oghuz é originado da Ásia central, hoje fronteira de China e Casaquistão, vizinhos dos Uigures. Turquia, Turkmenistão e Azerbaijão tem esta etnia. Vieram para a Crescente Fértil do Oriente Médio como Genghis Khan. E ocuparam um Império Romano Oriental expandido, quase até a India e a Rússia. Mas deixaram de lado a península ibérica e todo o sul da bota italiana. Até então a Itália era dividida entre africanos e árabes ao sul e bárbaros no norte. Esta divisão, assim como um certo armistício nos Balcãs, parece ter sido um acordo secreto entre Filipe II da Espanha e o sultão do Império Otomano da época, Mehmed II, Selim e Suleiman. Veneza, o poder dominante ao sul dos Alpes, perdeu Tessalônica para os otomanos no século XV, marcando seu declínio. Esta foi a cidade mais importante do que restou da Grécia durante a duração do poder otomano.

O mapa mostra os domínios otomanos durante 5 séculos. A noção de “Estado” deste povo asiático, derivada dos chineses, explica por que os otomanos dominaram uma parte tão crítica e ampla do mundo até 1923. Os cristãos ortodoxos, por exemplo, preferiram ficar com os otomanos do que com os emergentes católicos da Cristandade ocidental. O Império Otomano foi derrotado pela evolução da ciência ocidental, mais bem aceita pelos seus vizinhos e eternos opositores, os Persas. Após serem derrotados com os alemães na 1ª Grande Guerra, foram tendo seu território dividido entre os aliados, dando origem aos países atuais. A Grécia não existiu por um milênio. Para lá foram deslocados os cristãos ortodoxos. Uma Turquia radicalmente diminuída geograficamente acomodou os islâmicos e laicos da elite dirigente otomana, muitos dos quais usavam o prenome Bey, que precisaram abandonar todo o território do mapa acima. Judeus começaram a voltar à Palestina, e outro povos como os árabes foram divididos por franceses e ingleses do jeito que provoca caos até hoje.

O califado terrorista do Estado Islâmico ainda é uma tentativa de restaurar o poder Otomano. O erro é na essência, o Império Otomano conseguia ser laico, independente de religião. Seus preconceitos eram outros. Tinham escravos. Preferiam ser a elite, os Beys. No Brasil, as ideias otomanas parecem predominar na paz aparente entre estes povos e todas as denominações religiosas e políticas existentes. Mas o país vive em um caos crescente por que a essência é falsa. A estrutura de poder fica na mão de espanhóis e portugueses, e outros imigrantes mais recentes, que decididamente não são laicos. Temos crucifixos nos tribunais, um absurdo inconstitucional que todos deixam passar, como muitos outros. No vácuo de poder aparecem a corrupção e crime patrocinados por associações obscuras entre pessoas.

Antes do Império Otomano existiu o Império Romano. Nas séries Marco Polo e Spartacus da Netflix estes impérios e suas relações sociais, políticas e humanas podem ser observadas. Delas é possível extrair a ética e a moralidade que predominavam e ainda predominam em nosso meio ambiente. Por exemplo a tendência brasileira ao escravagismo, derivada destes impérios, e não exatamente dos portugueses.

Dr Paulo Bittencourt

(referência: Fora da casinha, uma análise histórica da loucura através dos séculos, 2010, disponível em sebos ou pelo telefone 55.41.32228801)

Image courtesy of Dr. Paulo Bittencourt | Dimpna
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