Quando o humano começou a falar? A história da linguagem e da linguística são antigas. Ninguém disputa que o australopiteco não falava; foi o gênero Homo, a partir de 2.5 milhões de anos atrás, que pode ter começado a falar e dado início à história da linguagem. Uma proto-linguagem pode ter iniciado com o Homo habilis (2,3 milhões de anos), Homo erectus (1.8 milhões), ou Homo heidelbergensis (0.6 milhões). A história da linguagem mesmo deve ter iniciado com o Homo sapiens no período Paleolítico Superior, menos de 100,000 anos atrás. Tanto Noam Chomsky quanto os humanistas de Foucault ignoraram esta ciência. Muitos ainda ignoram.

Ainda falta estabelecer os passos de como gestos, ruídos, música e canto, utilizados para comunicação entre primatas, evoluíram para a linguagem dos humanos. Este é o argumento antigo de Rousseau, Herder, Humboldt, Darwin, e mais recente de Mithen e Anderson, que apoiam a teoria da continuidade. A evidência objetiva da genética e da arqueologia indica que a história da linguagem começa entre 60000 e 100000 anos atrás, nos antepassados imediatos do Homo sapiens. Óbvio que não há evidência escrita. As evidências indiretas nos fósseis são o tamanho das partes do cérebro responsáveis pela comunicação verbal, a estrutura da laringe que permite a fala, a presença de artefatos e ferramentas que indiquem inteligência verbal, e arte, por exemplo com contagem de histórias.
Teorias sobre a origem da linguagem humana dependem do que se postula que é a linguagem. As teorias de continuidade são baseadas no fato que um sistema tão complexo evoluiu aos poucos em ancestrais pré-humanos. As teorias da descontinuidade dizem que a linguagem é um traço humano único, deve ter aparecido subitamente na evolução. Chomsky e o MIT em Boston seguraram durante o século XX a possibilidade de que uma mutação pudesse ter gerado a linguagem subitamente em algum antepassado humano. Também dizem que a linguagem é inata, codificada geneticamente. O humanismo, incluindo a Psicanálise e Foucault, dizem que é funcional, cultural, adquirida por interação social. Ambas são remanescentes do creacionismo.
A história da linguística começou com o estudo do sânscrito por Panini no século 5 antes de Cristo, na India, que classificou os sons em consoantes e vogais, as palavras em nomes e verbos. Sibawayh, um não árabe, descreveu as mesmas características do árabe em 760 DC. No Ocidente foi Platão que se interessou pela linguagem como parte da Filosofia, e o estudo da Filologia começou com um sucessor de Alexandre na famosa biblioteca de Alexandria em 280 AC. Em 1653 Van Boshorn publicou uma proposta de uma proto-linguagem, o Scício, para preceder as línguas germânicas, românicas, grego, bálticas, celta e o iraniano. Em 1767 um jesuíta francês que viveu na India, Gaston-Laurent Coeurdoux, demonstrou analogias específicas entre sânscrito e línguas europeias.

William Jones, um magistrado britânico morando na India, tornou-se conhecido por propagar a relação genética entre as línguas que viriam a fazer parte da família Indo-europeia. Foi no Discourse para a Asiatic Society, em 1786: “O Sânscrito, seja lá qual for sua antiguidade, tem uma estrutura maravilhosa, mais perfeita que grego, mais copiosa que o latim, mais refinada que ambos, com forte afinidade com os dois, tanto nas raízes dos verbos quanto na gramática, quanto poderia ser produzido por acidente; tão forte que nenhum filologista poderia examinar as três sem acreditar que vieram de uma fonte comum, que talvez não exista mais; existe uma razão similar, talvez não tão forte, para supor que tanto o gótico quanto o celta, embora misturados com um sotaque muito diferente, tiveram a mesma origem, que o sânscrito, e que o velho persa possa ser adicionado à mesma família.” Jones exagerou e inclui algumas línguas orientais no grupo, mas a Linguística estava inicializada.

As linguagens se dividem em famílias, que tem ancestrais comuns. A família indo-europeia é utilizada por 46% das pessoas do planeta, inclui hindu, inglês, espanhol e russo, expandiu-se com a migração mongol, e depois com a expansão colonial europeia.
A família sino-tibetana é utilizada por 20% do planeta e inclui o Hakka, mandarin, chinês, cantonês, e centenas de linguagens menores do sudeste da Ásia. Na África existem muitas famílias de linguagens. A maior é a Niger-Congo, utilizada por 7% da população mundial, que inclui Swahili, Shona e Yoruba. Um número semelhante de pessoas falam as línguas da família afro-asiática, incluindo as línguas semíticas, como arábico, hebreu, e as línguas do Sahara, como o Berber e o Hausa.
A família austronésia é utilizada por 5.5% do planeta, de Madagascar ao Sudeste da Ásia e Oceania. Inclui línguas nativas das ilhas como maori, samoano e indonésio. O consenso é que todas se originaram em Taiwan em 3000 anos AC, se espalhando por técnicas náuticas avançadas. Existem famílias de linguagens no sudeste asiático, como as dravidianas, as túrquicas, e as austroasiáticas. A maior diversidade linguística ocorre nas Americas, Papua Nova Guiné África Ocidental e Sul da Ásia, onde existem linguagens como o tupi-guarani, quéchua, uto-aztecan e o pama-nyungan, assim como o basco no norte da Espanha, que são considerados linguagens isoladas.
Dr Paulo Bittencourt

Texto a partir da Wikipédia em inglês e de Paulo Rogério Bittencourt. Fora da casinha, um ensaio sobre a ideia da loucura 2009 (disponível em amazon.com) e Fora da Casinha uma análise histórica da loucura através dos séculos; Jaraguá do Sul, Design Editora,2ª Ed revisada 2010 pp. 300 (disponível em dimpna.com)