A história da dieta do jejum é antiga. Um ponto de inflexão foi a fundação em 1997 de uma pequena clínica separada da principal da Rua Padre Anchieta, então chamada UNINEURO, localizada na Rua Emiliano Perneta, em um conjunto comercial, com 4 belas moças. Uma secretária, filha de um juiz, hoje desembargador. Uma fisioterapeuta, uma nutricionista e uma psicóloga. A razão de estar separada da principal estava expressa no nome: Projeto Saúde. Todas as moças foram treinadas para passar aos pacientes técnicas de dieta, atividade física e treinamento mental que eu havia aprendido de literatura em língua inglesa.

O paradigma básico do Projeto Saúde é que para curar hipertensão, dislipidemias e diabetes, o chamado síndrome metabólico, as pessoas precisam mudar seu modo de pensar, agir, se movimentar, exercitar e de comer. O problema é de Saúde e não de doença, a ser resolvido em clubes, academias, na rua, em escolas, e não em clínicas e consultórios, pago por convênios. Eu não havia tirado a ideia do chapéu, era baseada na minha identificação de um padrão de desenvolvimento na literatura médica internacional, que atingia um problema clínico com na minha família e na comunidade.

O paradigma já incluía períodos prolongados de jejum, por vezes disfarçados, como a dieta da maçã, vários dias de Coca zero com maçã. Incluía a dieta da pirâmide mediterrânea, um afastamento do leite, não só da carne, de tudo que vem de gado, pois em torno do Mar Mediterrâneo nunca houve gado.

O treinamento mental era Terapia Comportamental Cognitiva, que eu havia introduzido no país em 1993. Aos poucos estes conceitos foram passando para toda a maneira de trabalhar da clínica, da recepcionista à manutenção. O aspecto físico, essencialmente, é de atividade aeróbica sem impacto. Alguns anos depois sobrou espaço na clínica da Padre Anchieta, e nós absorvemos o Projeto Saúde na clínica principal.

Durante estes 20 anos o país só piorou. As pessoas querem mais e mais que seu problema seja resolvido pelo seu sistema de saúde. Nós tentamos explicar que a dieta do jejum significa economizar de maneiras  x, y, z, a, b, c. No mercado, na dislipidemia, no diabetes, na hipertensão, no médico, no remédio, que a UNIMED não paga o estacionamento, a doença progressiva, a vista perdida, a impotência, a demência, etc.

Costumo dizer que o pior legado de Lula e Dilma foi a falta de respeito pelo conhecimento e pelos médicos. Lula virou uma prova eloquente que o conhecimento não importa no Brasil. E Dilma batalhou contra médicos covardes que testemunharam suas torturas. A falta de punição dos conselhos de medicina a médicos que violaram, e ainda violam direitos humanos, é uma barbaridade da qual Dilma se aproveitou muito bem.

Então,  apesar de sermos uma clínica pequena, com pouco movimento, temos todo ano 2 ou 3 milagres, a cura de diabetes mellitus, ou pelo menos uma transformação de pessoas insulino-dependentes em não dependentes. Seguindo a mesma ideia do Projeto Saúde, beneficiada por 20 anos de experiência, não só nosso como de toda a ciência médica internacional.

Neste paradigma, você comer de 3 em 3h só faz sentido em uma situação “medicalizada”, em pessoas tomando insulina e hipoglicemiantes orais, que precisam se alimentar para não sofrer hipoglicemia. Aquela ideia que se ouvia muito de que a pessoa fica fraquinha por não comer não tem eco biológico. Em termos de obesidade, o que importa é a quantidade de comida ingerida em uma semana.

Longos períodos de jejum total, só com hidratação, são excelentes para prolongar a vida e para emagrecer. No meu caso, gosto de Coca Zero, outros usam outro refri zero, ou água mineral, todos são hidratação com sal. Mas água de coco não é, assim como aqueles sucos que tem soja dentro. Todos estes tem óleos que são gorduras, contam calorias. Esta é a ideia da dieta do jejum. Que tem é claro, muitos outros detalhes.

Dr Paulo Bittencourt

Image courtesy of Sartor | Dimpna
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