Sarah Burkill e colegas publicaram um artigo sobre a mortalidade em esclerose múltipla  na revista Neurology em 2017, páginas 555-562. Estes autores conduziram um amplo estudo epidemiológico na Suécia entre 1964 e 2012. Eles avaliaram 30324 portadores de esclerose múltipla e 300 mil controles. Os controles foram escolhidos para serem comparáveis estatisticamente de todos os pontos de vista relevantes para a saúde pública sueca, como educação, local de habitação, origem social e racial, e assim por diante.

Conforme o gráfico mostra, o resultado mostrou uma mortalidade em esclerose múltipla maior que na população controle. Este efeito epidemiológico é aparente no gráfico desde uma idade precoce até a idade avançada. Em torno dos 60 anos de idade chega a uns 10 anos de diferença acumulada.

A causa da mortalidade em esclerose múltipla ser elevada é múltipla, e vai se somando durante a vida das pessoas. A primeira causa é infecciosa, principalmente através de infecções de vias respiratórias. Em seguida existem mais mortes por septicemia. O risco de morte por suicídio também é maior, assim como o risco de morte por doenças cardiovasculares e por acidentes de vários tipos.

O risco de morte e mesmo a mortalidade em esclerose múltipla diminuiu muito entre 1964 e 2012, mais do que na população controle, talvez devido aos progressos de diagnóstico e controle. Esta observação precisa ser mais clarificada. Hoje em dia, o risco de morte em esclerose múltipla ainda é maior do que na população em geral. Porém, era muito maior há 40 anos, e esta diferença foi o que melhorou nestes 40 anos, talvez devido aos avanços diagnósticos, terapêuticos e de saúde pública. O progresso para os portadores de esclerose múltipla é que foi maior do que para a população em geral, sugerindo que tenha havido um efeito dos avanços específicos de diagnóstico e tratamento de esclerose múltipla utilizados na Suécia.

Dr Paulo Bittencourt