Créditos de imagem: Greg Dunn.

Uma notícia sobre esclerose lateral amiotrófica do dia 4 de janeiro de 2017 do site da Emory University, de Atlanta, coloca os resultados de um estudo que os maiores centros americanos realizaram com apoio financeiro, logístico e tecnológico, para replicar o que chineses fizeram durante muitos anos, que levou gente do mundo todo a se deslocar até lá para procedimentos altamente invasivos. Este foi um clinical trial fase 2, terminado e publicado (Neurology® 2016;87:392–400), realizado para verificar a segurança, não a eficácia terapêutica. A conclusão foi de que o procedimento é extremamente caro e complexo, mas seguro, embora existam complicações, inclusive mortes. Mais estudos precisam ser realizados para verificar a eficácia terapêutica, tanto do ponto de vista do curso da doença quanto da qualidade de vida dos pacientes. Traduzindo literalmente da notícia publicada no site da Emory: “Na verdade, todos os tratamentos de células tronco estão em fase experimental, e não há evidência conclusiva de que qualquer um deles seja de benefício para pacientes com ELA. Novos estudos estão sendo planejados aqui e em outras instituições para testar vários procedimentos de células tronco, e todos nós que trabalhamos no campo de células tronco esperamos providenciar respostas à comunidade ELA com respeito a eficácia de células tronco no futuro próximo”.

Um dos pacientes desta pesquisa foi mostrado em muito detalhe em sua cadeira motorizada em um programa sobre células tronco – Vital Signs com Sanjay Gupta – na CNN na manhã do dia 27 de maio de 2017. É um homem de aproximadamente 65 anos de idade, elegante e bonito, que fez o tratamento há 6 anos, um viajante inveterado. Muitas fotos e vídeos foram feitas de sua viagens. Ele diz e os filmes mostram que sua doença estabilizou-se após o tratamento, antes de atingir de maneira mais grave a respiração e a deglutição. Os braços continuam relativamente bem. Consultando a publicação original, podemos perceber que todos os pacientes foram pesadamente imunossuprimidos, com basiliximab, tacrolimus, e micofenolato mofetil.

A conclusão sub-entendida entre as linhas é que o que funciona a médio prazo são os medicamentos imunossupressores. As células tronco teriam que ter estabelecido colônias de neurônios e ter sido demonstradas em ressonâncias e eletromiografias, ou PET-scans. Deveria ter ocorrido alguma regeneração. Seria incrivelmente caprichoso da natureza que elas lentificassem o progresso da evolução da doença. Isto é o que se espera dos imunossupressores, que foram utilizados para inibir a rejeição às células tronco. Esta é a razão pela qual os pesquisadores afirmam que não existe ainda evidência do funcionamento das células tronco. O problema é o custo/benefício desta imunossupressão a longo prazo. Como nenhum destes tratamentos é aprovado pela ANVISA para esta doença, seria o mesmo caso do nosso pré-transplante de células tronco autólogas hematopoiéticas, que também retarda o progresso da ELA, mas precisa ser repetido, com um custo elevado. Por elevado queremos dizer mais de R$ 50 mil por ano. Muito, muito, muito menos do que custam tratamentos como de certas atrofias espinhais que tem feito crianças se mudarem para a Itália. A bala de prata, o milagre que resolve a doença de uma vez só que muitos desejam, ainda não está no horizonte.

Dr Paulo Bittencourt

http://www.neurology.emory.edu/ALS/research/clinical_trials/stem_cell_trial.html