Créditos de imagem: Toshiba Medical Europe.

Pessoas querem fazer ressonância e tomografia para esclarecer seus problemas hoje em dia, muitas vezes fazendo um bypass, um desvio, no caminho do diagnóstico médico. Este artigo visa ajudar este processo.

A tomografia computadorizada usa raios X, uma irradiação de partículas físicas, que viaja pelo espaço e colide com as estrutura do corpo. O computador reconstrói as imagens obtidas pelos cortes como se fosse de um bolo, seja na vertical ou na horizontal. Tomografia mostra muito bem ossos, como o antigo Rx, e com pouco detalhe as partes moles como cérebro, medula, meniscos, ligamentos, discos intervertebrais, nervos, músculos e órgãos internos. Com o uso de contraste, tomografia pode substituir os cateterismos, nas chamadas angio-tomografias. Introduzida no meio dos anos 1970, a tomografia hoje em dia tem aparelhos e informática sofisticados. Os exames são rápidos, baratos, podem ser feitos em bebês e pacientes agitados, mesmo sem anestesia. Reconstruções impressionantes podem ser feitas nos computadores, belíssimas.

A ressonância magnética também usa reconstrução de imagens obtidas por cortes tomográficos como fatias de bolo. Também é possível fazer angio-ressonâncias, e o contraste utilizado é menos problemático que o da tomografia. O principal problema da ressonância é a demora, as pessoas precisam ficar imobilizadas vários segmentos de 15 minutos cada um. Uma TC de crânio dura minutos, uma ressonância de crânio dura quase uma hora. A tomografia é tão simples e rápida que substituiu o Rx de tórax, principalmente na prática hospitalar, para pacientes neurológicos, acamados.

Porém o método de obtenção da imagem da ressonância desafia a inteligência mesmo de especialistas. Cada aparelho de ressonância é um gigantesco ímã, e seu poder de magnetização, ou “campo”, é medido em Tesla, variando de 0,5 a 1,5 a 3,0T. Quando a cabeça da pessoa está ali dentro, o ímã é magnetizado, e as moléculas de água da cabeça subitamente se enfileiram, como pessoas que estivessem com seus braços estirados para a frente em um Heil Hitler! O ímã pode ser desmagnetizado de maneiras diferentes. É como se as pessoas abaixassem seus braços em velocidades e de maneiras diferentes, dando um tchauzinho, fazendo um beleza. Assim produzem imagens diferentes, chamadas T1, T2, DWI, utilizadas para ver lesões de AVC, epilepsia, esclerose múltipla, ou seja lá o que estiver sendo estudado.Na ressonância os ossos, que tem pouca água, somem, e as partes moles, que tem muita, aparecem em grande detalhe.

Ontem atendi senhor que veio consultar devido a uma dor de cabeça um pouco estranha, que havia ficado 3 horas na fila de espera de outro estabelecimento de saúde, onde imaginava que sua consulta em um pronto socorro o levaria a fazer uma ressonância e tomografia. Na verdade sua real preocupação é que seu pai foi recentemente diagnosticado com doença de Alzheimer. Ressonância e tomografia não servem para isso. A maioria dos diagnósticos neurológicos e psiquiátricos – Alzheimer, Parkinson, epilepsia, enxaqueca, depressões, esquizofrenia – tem diagnóstico clínico, não aparece nestes exames, que são chamados de exames de imagem estrutural. É o médico que precisa concluir que a pessoa tem a doença, baseado em seu diagnóstico, ou solicitar avaliações funcionais, como memória, inteligência, QI, entre outros.

Dr Paulo Bittencourt