Comecei cedo na prática neurológica; na clínica não dependo de altas habilidades motoras, continuo fazendo o que aprendi em Londres, uma parte por querer e outra por oportunidade: epilepsia, doenças mentais e neuro-imunologia. Minha surpresa é viver saudável bem mais que meu pai; já quase o dobro. Minha alegria ter criado 4 filhos sem sequelas. Pena que não tive 6 ou 7. Estão grandes, fortes, saudáveis e bonitos. Perto disso, as tristezas foram pequenas.

Em janeiro de 1982, aos 28 anos de idade, voltei a Curitiba após 5 anos em Londres, e me apresentei a Affonso Antoniuk e Guilberto Minguetti. Pedi um conselho a Izrail Cat e Dante Romanó Jr, pois meu pai havia falecido em 1975. Depois de alguns meses resolvi ficar aqui, ao invés de Salvador, onde já morava minha esposa Lilian, apesar das oportunidades que oferecia seu pai oncologista, Dr Bernardo Viana Pereira. Em maio, com meu compadre Paulo Sandoval, abri a clínica na propriedade da minha mãe e tia, na rua Padre Anchieta, onde está a Dimpna. A história está em www.dimpna.com

Os primeiros 10 anos após 1982 foram ligados a uma tentativa de carreira acadêmica, no HC da UFPR e no Hospital N S das Graças. Publicando muito, voando alto numa carreira de conferencista nacional e internacional. Grande parte servindo à Liga Internacional de Epilepsia. Na virada para o século XXI precisei me tornar um médico de família, cuidar da saúde e filhos, e trabalhei bastante no H Santa Cruz. O trabalho se concentrou na Dimpna, uma mistura do Centro-Dia, minha clínica dos anos 80, com o Hospital São Paulo, que meu pai tinha em Ourizona nos anos 1950. Outro artigo mostra as inovações com as quais nos envolvemos nesta longa história.

Ainda recentemente ouvi do Dr Arnaldo Dias dos Reis: sua maior obra foi a Neurologia Clínica, a capacidade de enfrentar o paciente com a história e o exame clínico, a ciência do confronto direto com a doença pelo método clássico da prática neurológica. Disse ele: veja que em praticamente todos os grandes hospitais de Curitiba o maior neurologista foi treinado por você no Hospital Nossa Senhora das Graças. O problema é que muitos colegas e pacientes se revoltam: acreditam mais nos exames do que em nós e estes nossos brinquedinhos aí da mesa. Já as crianças adoram.

Dr Paulo Bittencourt