Créditos de imagem: Greg Dunn.

Tratamento psicológico informal com ou sem terapia e psicoterapia é feito em qualquer canto de qualquer maneira, até no bar e na feira. Membros da profissão legal e as igrejas tem pendor por diagnóstico e tratamento mental desde tempos imemoriais. Na área da saúde muitos profissionais estabelecem relações terapêuticas, pois existem poucos psicólogos, neurologistas e psiquiatras. Médicos com conhecimentos árabes e chineses, muitos deles judeus, já praticavam na península ibérica quando ocorreu a reconquista católica, e no imenso mundo africano, asiático e europeu oriental. Da mesma forma, profissionais da saúde sempre atenderam portadores de distúrbios mentais, com ou sem a ajuda de instituições religiosas ou legais, mundo afora. Hoje mesmo, quem fala de terapia e psicoterapia em uma de nossas redes mais populares de TV, no Paraná é um neurologista, e em São Paulo, um oncologista.

Após o Renascimento da Filosofia europeia nos séculos 18-19 ocorreu a formalização da terapia e psicoterapia. Se sucederam a institucionalização de várias formas de terapia, como a psicanálise de Freud e Jung, e a psicologia individual de Alfred Adler, que se espalharam pela Europa e Américas rapidamente.

Mas há vários séculos vinha ocorrendo grande progresso das ciências, e bem nesta época, explodiram as neurociências. Pavlov colocava as bases da psicologia comportamental na Rússia, com alguns colegas americanos. Wolfgang Köhler, um alemão, físico-psicólogo Gestalt, seguindo as ideias de Kant, trabalhava nas Ilhas das Canárias com primatas entre 1913-17. As duas guerras mundias facilitaram a expansão da psicanálise e dificultaram a evolução das neurociências. Atacado pelos nazistas e resgatado pelos americanos, o experimento  de Köhler levaria David Premack, em Philadelphia a publicar 60 anos depois, em 1977, o artigo que quebrou todas as barreiras, e estabeleceu a Theory of Mind. Pouco entendida entre nós, está em inglês científico, fora das ciências humanas.

Viktor Frankl, outro neurologista e psiquiatra, baseou sua escola psicanalítica na análise existencial e na ideia de Kierkegaard da vontade pelo significado, oposta à de Freud, do desejo pelo prazer. Baseado em sua experiência do Holocausto, Frankl criou uma teoria que outros viam como autoritária e religiosa, pois apresenta uma solução simples para uma vida complexa. As teorias de Frankl da logoterapia acabaram sendo incluídas em uma terapia e psicoterapia de significado. Ele e seus seguidores buscaram integração com terapia comportamental cognitiva, a TCC.

TCC é a unanimidade dos últimos 25 anos. Acredito que eu a tenha introduzido em nosso meio em 1995, assim como participei sem querer da introdução da psicologia comportamental quando era professor de inglês nos anos 1970. TCC é uma forma de psicoterapia breve e objetiva que foi articulada em Philadelphia nos anos 1970 por Aaron Beck, um ex-psicanalista, que mudou de ideia baseado em evidências desde os estoicos gregos, e em um fortíssimo corpo de evidência científica que vem desde os primatas de Köhler e os animais de Pavlov até estudos controlados realizados em inúmeras situações clínicas. Desde os anos 1990 é a realmente aceita na Medicina, por ser baseada em evidência científica de eficácia em situações clínicas específicas.

Dr Paulo Bittencourt