Créditos de imagem: Greg Dunn.

A crise atual da política brasileira tem mais a ver com o sul do Brasil do que parece. O bisavô gaúcho de Fernando Collor era Köehler. O Odebrecht original chamava-se Emil, e veio para Blumenau junto com o Hering das toalhas e camisetas em 1850. As principais fortunas curitibanas são de famílias industriais como Schrappe e Mueller, que chegaram nos portos de Santa Catarina e depois subiram para Curitiba. Italianos agricultores chegaram no Rio Grande do Sul e subiram derrubando florestas pelo oeste da região sul e resultaram nos Moro e Fachin. Os ibéricos católicos que dominam a justiça, os jornais e a TV são uma casta nobre. Caíram de para-quedas nas listas de bilionários com as injeções de capital estrangeiro durante a ditadura militar.

Tudo seria simples na política brasileira se não houvesse o tal povo que vota no Lula. E os árabes e judeus que rapidamente estabeleceram grandes negócios no século XX. Imagine que tem só um sujeito, Soifer, que é dono do trenzinho do Cristo Redentor e do ônibus das Cataratas do Iguaçu. É mole? Tem outro que domina os guarda-chuvas do país inteiro. Cartéis raciais, preconceituosos, são a regra selvagem que impede um salto de paradigma na política brasileira.

A lenta, mecanicista, evolução da vida nas Américas está exposta em “100 years of solitude” de Gabriel Garcia Marquez, que eu li em português, inglês e espanhol colombiano, em 3 épocas diferentes da vida e em “Bolivar, American Liberator”, de Marie Arana, editado por Simon and Schuster, New York, 2013. Cidades como Cuzco, Oaxaca, Mexico, Rio de Janeiro, Buenos Aires, São Paulo, são como outras metrópoles Aztecas, Mayas e Olmecas, que sobreviveram ou deixaram restos arquitetônicos nas florestas, perto do mar ou nas montanhas.

Europeus ainda se enxergam como uma raça superior porque enganaram os nativos e os africanos tão facilmente. Constroem uma Curitiba e sonham que vai durar para sempre. Respeitam mais os asiáticos porque eles repetidamente invadiram e os derrotaram. Na verdade, basta entrarmos em prostituição e tráfico de pessoas para percebermos que crianças de qualquer raça valem bastante, inclusive as nossas.

Após meio século do fim das ditaduras, mais da metade da América Latina voltou ao padrão africano do início do século 20. Rio, Recife, Minas e Bahia estão dominados por endemias e pobreza, e o país todo por crime e corrupção. A magnitude é nunca vista, pelo tamanho da população e da economia, um hospício 10-20-30 vezes pior do que o Congo, Angola ou África do Sul. Uruguay, Chile, Colombia, Cuba, Costa Rica, Panama, Canada  e alguns países do Caribe estão OK. Mexico e o resto da América Central e do Sul são vulcões em ebulição lenta. Derretendo, andando para trás cada vez mais rápido. Este ano, 2017, já andamos 2,2% para trás em 3 meses. Venezuela, Brasil e Paraguai, estão prontos para explodir. E a política brasileira continua baseada no falso paradigma de 150 anos atrás.

A grande novidade é a instabilidade nos EUA. A melhor teoria é que Trump seja dirigido por um conglomerado de magnatas nebulosos envolvidos com os Panama papers. Muitos são russos. Trump é um disfarce para a investigação que órgãos americanos estavam levando adiante após a de bancos como o HSBC, a da FIFA e da Petrobrás. Apesar de ser a segunda mais tradicional democracia do planeta, os EUA estão pela primeira vez em memória operacional correndo o risco de ter sua história alterada por uma corporação para seus próprios propósitos, um cenário fantástico paranóide tipo Gotham. Uma visita a Philadelphia mostra que os fundadores dos EUA eram ligados a estas sociedades, e assim lutaram a Guerra Civil. Sua constituição os protege contra esta armadilha, mas é óbvio que este presidente mentiu no seu juramento inaugural.

Qualquer um com visão detalhada de futuro agora tem bola de cristal, tomou LSD, ou acredita em uma religião que acabou de fundar. Nossa estrutura de poder corrupta, antiga, baseada em sub-camadas e sub-agendas , torna inúteis nossas leis, e pôs a perder muitas oportunidades de saltos de desenvolvimento provocados pelas commodities, as várias florestas dizimadas e a evolução da população, grande, bela e inteligente. Deu nesta palhaçada atual da Ordem e Progresso sendo bradada ridiculamente em propagandas na TV.

Minha proposta é pedir para Neymar Senior e Giselle Bundchen formarem dois partidos e disputarem a próxima eleição. Talvez contra a Xuxa, que já acertou quando disse que comer carne era um horror, anos atrás. E tirar ordem e progresso da bandeira. Pedir que a região Norte, Meio-norte (Maranhão e Piauí), Nordeste, resolvam se querem apresentar candidatos, mas gente assim, que trabalha, estilo o Trump, enganador de verdade, sacana total, e não fracotes de mentirinha e ladrões da madrugada. Senão, eu prefiro a Dilma sanitizada.

Dr Paulo Bittencourt