Créditos de imagem: OMS OPAS.

Sobre seu suprimento de vacina de febre amarela, em fevereiro de 2017 a Sanofi informou ao Centers for Disease Control americano e à Organização Mundial da Saúde  que não era suficiente para a demanda. Os sites do CDC e da OMS não mencionam a fabricação brasileira de vacina de febre amarela, provavelmente porque a vacina brasileira não é reconhecida internacionalmente, devido a não ter sido testada por critérios científicos. Por enquanto foi utilizada no Brasil e na África. Acredito que seja como nossos genéricos e similares. O documento da OMS sobre febre amarela de novembro de 2017 não menciona a vacina brasileira ou o fracionamento de doses.

Da mesma forma que pensamos que ainda estamos em um surto, pensamos que nossa vacina de febre amarela funciona. Nossas autoridades não nos informam quase nada, vivemos em um governo que presta informações que levam a população a piorar o problema. O mundo já desistiu de nós. Passada a olimpíada e sem Obama, ninguém mais se preocupa. Existem outros problemas na mente de Trump, Macron e Merkel. Na verdade a França vai lucrar, pois a fabricante internacional da vacina de febre amarela é a Sanofi, parceira do Ministério da Saúde em inúmeros projetos.

A orientação atual do CDC americano e da OMS, obedecida por todos os países do mundo, é que as pessoas só venham ao Brasil após tomar a vacina de febre amarela. Ambas organizações dizem que ainda não recomendam que as pessoas deixem de vir ao Brasil para negócios ou turismo, mas recomendam que se vacinem. Ou seja, voltamos a estar em quarentena de febre amarela. Como os africanos, e como quando eu era menino. Nossas 3 principais capitais estão em situação similar a Kinshassa e Maputo. No Congo e Angola.

Um dos motivos que os governantes nacionais e do estado do Rio de Janeiro podem ter atrasado o reconhecimento da epidemia foi o carnaval brasileiro de 2017. A microcefalia ainda pode ter sido por conta do Lula e da Dilma, mas a febre amarela começou começou com macacos no Rio em outubro de 2016, e pessoas no leste de Minas Gerais em dezembro.

A ideia de fracionar vacina de febre amarela não é aceita pela Organização Mundial de Saúde, nem pela comunidade científica e epidemiológica internacional. A OPAS, braço pan-americano da OMS, realizou em dezembro de 2017 uma reunião técnica a pedido do Ministério da Saúde do Brasil, quando os brasileiros tentaram obter um apoio para a utilização da dose fracionada. Eles não obtiveram o apoio. A OPAS diz em 12.01.2018 que talvez a dose fracionada possa dar cobertura por um ano, e não pelos 8 anos que os brasileiros haviam publicado em sua mídia, sem esclarecer de onde haviam tirado esta ideia. É uma ideia, jamais testada em campo. Foi utilizada na África por absoluta falta de estoque de vacina de febre amarela. Se utilizada no Brasil, utilizará a população brasileira como sujeitos de pesquisa, sem consentimento informado, sem um grupo controle.

Dr Paulo Bittencourt

https://wwwnc.cdc.gov/travel/notices/alert/yellow-fever-brazil

http://www.who.int/csr/don/27-january-2017-yellow-fever-risk-map-brazil.png?ua=1

http://www.who.int/csr/don/24-november-2017-yellow-fever-brazil/en/

http://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5575:brasil-anuncia-fracionamento-de-doses-de-vacina-contra-febre-amarela-em-tres-estados&Itemid=820

 

 

Image courtesy of Dr. Paulo Bittencourt | Dimpna
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