Créditos de imagem: Papo de Jaleco.

A doença dos vermes na cabeça existe desde a inclusão da carne de porco na dieta humana. A teníase tem alta prevalência em países menos sanitariamente desenvolvidos da Ásia e África. Na América Central e América do Sul a frequência é muito alta, exceto na Argentina, Chile e Uruguai. Está hoje em dia mais frequente na Europa e América do Norte devido à migração. Cistos são pequenas bexigas com um líquido e a cabeça do verme, que podem se instalar no sistema nervoso central, levando à neurocistiscercose, a doença dos vermes na cabeça, e em outras localizações, preferencialmente em jovens.

A Taenia solium pertence a classe dos cestóides, pequenos parasitas sem aparelho digestivo, de corpo achatado em forma de fita, formados por proglotes, os segmentos fabricados pela a cabeça do verme, o escólex. Os segmentos apresentam órgãos genitais masculinos e femininos. Quando adultos habitam o intestino humano, presos pelos espinhos e se alimentando pelas ventosas do escólex. O verme adulto elimina proglotes, repletos de filhotes, que saindo com as fezes, são ingeridos pelos porcos, que desenvolvem a forma encistada, com o Cisticercus cellulosae. Quando o homem se alimenta de carne com cisticerco, popularmente conhecida como pipoca, desenvolve a teníase intestinal.

Outra infecção humana ocorre com a ingestão dos proglotes das fezes humanas, principalmente através de vegetais contaminados por fezes humanas. É a maneira mais comum de alguém ter vermes na cabeça. Quando uma cozinheira vai ao banheiro, não lava bem as mãos e volta a fazer sanduiches; quando colonos plantam alface com esterco infectado de porcos ou humanos. Filhotes de tênia livres no aparelho digestivo entram na corrente sanguínea, e se distribuem pelo corpo, incluindo músculos e cérebro. Nestes locais de intensa circulação de sangue, os cisticercos se desenvolvem muito bem.

Os sintomas dependem de onde o cistiscerco se instala: dor e fraqueza muscular; dor e nódulos na pele; alterações visuais e cegueira. Na doença dos vermes na cabeça, ocorrem as mais variadas formas de sintomas e sinais neurológicos, dependendo da localização e quantidade de cistos: a neurocistiscercose. Após sua instalação o escólex, a cabeça do verme, desenvolve o cisto, que causa uma inflamação em seu redor. Esta reação do cérebro acaba destruindo o cisto, resultando numa calcificação, uma pequena pedra parecida com osso. A vida de um cisto no cérebro, desde sua chegada até virar uma calcificação, dura em média 5 anos. É durante estes 5 anos que a doença mais incomoda o portador.

A neurocistiscercose ou doença dos vermes na cabeça é chamada ativa quando o cisto está vivo ou quando o cérebro está causando a inflamação para tentar matá-lo. É chamada inativa quando os cistos já foram calcificados. As ativas são mais graves, pela reação inflamatória. Podem se comportar como um tumor, comprimindo estruturas nervosas e causando hidrocefalia, excesso de líquido na cabeça, a forma mais grave da doença. O excesso de líquido é pela interrupção dos sistemas de drenagem do liquor, que circula na cabeça e na coluna espinhal. No córtex, a camada externa do cérebro, ocorre epilepsia, uma manifestação frequente. Podem ocorrer convulsões e crises parciais simples ou complexas, como ausências A neurocisticercose é considerada uma das principais causas da epilepsia atingir 10 a 15 doentes por 1.000 habitantes de países tropicais, o dobro da frequência em países com sistemas de higiene apropriados. A tomografia demonstrar excesso de líquido, a hidrocefalia, e as calcificações. A ressonância magnética mostra melhor as lesões no cérebro e nos espaços líquidos, a atividade da doença, e permite melhor planejamento de tratamento. Análise do liquor, o líquido colhido pela punção lombar, mostra inflamação causado pelos cistos nas meninges ou nos ventrículos do cérebro. Existem exames no sangue e liquor, úteis na clínica e em estudos epidemiológicos, como o ELISA.

Apesar de cada uma das apresentações clínicas requererem um tratamento específico, muitas vezes o objetivo é a destruição dos parasitas, a diminuição da reação inflamatória cerebral, e da pressão intracraniana. Hoje em dia a maioria absoluta dos casos operados são devidos à hidrocefalia. Um tubo na cabeça do paciente desvia o excesso de líquido para o abdomen, onde é reabsorvido. Raramente é indicada a retirada de cistos gigantes. A cistiscercose, um antigo flagelo da humanidade, depende do desenvolvimento medidas sanitárias mais eficientes, incluindo esclarecimento da população sobre higiene pessoal. Fiscalização das criações e abates de suínos é secundário, o porco é vítima dos hábitos humanos. Nossos médicos, principalmente clínicos do interior, devem viabilizar os recursos para pacientes serem tratados com acesso a laboratórios, aparelhos de imagem e profissionais capacitados.

A solução está na mão do povo. A única explicação para a alta frequência em regiões desenvolvidas, por exemplo no Paraná, é as pessoas e seus políticos usarem recursos para o consumo antes da saúde e educação. Enquanto nosso desenvolvimento cultural não ocorre, a população pode tentar evitar a doença, com alguns cuidados básicos, como tomar vermifugos anualmente, sob orientação médica, lavar as mãos após usar o banheiro, tomar água tratada ou de origem segura, não ingerir verduras e legumes de origem desconhecida, lavar legumes e verduras antes do preparo, não consumir carne de porco sem inspeção sanitária ou  cozida.Em caso de qualquer dúvida, podemos manter as verduras por meia hora em uma solução de 1 litro de água com 1 colher de sopa de hipoclorito de sódio, 1/2 copo de vinagre ou 1/2 copo de limão

Texto de um folheto informativo preparado pelos Drs Milton Mäder de Bittencourt Jr e Paulo Rogério Mudrovitsch de Bittencourt aproximadamente em 1995.

 

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